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segunda-feira, 21 de março de 2011

Informações Úteis - Terceira Idade

Demência senil

Demência senil, forma clínica de deterioração intelectual do idoso. Cerca de 10% de todas as pessoas maiores de 65 anos sofrem uma degeneração intelectual significativa. Embora um quinto dos casos deva-se a causas passíveis de tratamento, como por exemplo reações adversas a fármacos, a maioria sofre do mal de Alzheimer.

Cretinismo

Cretinismo, doença provocada pela ausência congênita de tiroxina, hormônio secretado pela glândula tireóide. Caracteriza-se pelo retardo físico e mental, estatura baixa, extremidades deformadas, feições grosseiras e pêlo escasso e áspero. Muitos países fazem, como rotina, o diagnóstico precoce em todos os recém-nascidos. O cretinismo endêmico ocorre em áreas onde existe um déficit de sal iodado na água. O iodo é um componente essencial para a síntese de tiroxina.

Epilepsia

Epilepsia, distúrbio crônico do cérebro caracterizado por convulsões ou ataques repetidos. A origem dos ataques pode ser uma lesão cerebral subjacente, uma lesão estrutural do cérebro, uma doença sistêmica, ou até ser idiopática (sem causa orgânica). Os ataques epilépticos consistem em perda de consciência, espasmos convulsivos de partes do corpo, explosões emocionais ou períodos de confusão mental.

Nos indivíduos epilépticos, as ondas cerebrais, que são uma manifestação da atividade elétrica do córtex cerebral, têm um ritmo característico anômalo. Os registros das ondas cerebrais são obtidos com um aparelho denominado electroencefalógrafo.

Esclerose múltipla

Esclerose múltipla, doença do sistema nervoso central, na qual a mielina (substância lipóide esbranquiçada que envolve as fibras nervosas) se destrói de forma gradual, com o desenvolvimento de lesões múltiplas no cérebro e na medula espinhal.

Os sintomas mais freqüentes são: visão borrada ou dupla, perda de visão, tremor nas mãos, debilidade das extremidades, alterações na sensibilidade, dificuldade na fala e perda do controle sobre os esfíncteres vesical e anal. Com o tempo, a maioria dos casos é mortal.

Gerontologia

Gerontologia, ciência que estuda as pessoas idosas, sua situação social e o fenômeno do envelhecimento. Os gerontólogos estudam o comportamento da sociedade em relação às pessoas idosas e seus principais problemas de saúde. Na maioria das sociedades industrializadas o alto custo de alguns tratamentos tem sido assumido, em parte, por políticas de seguro social.

Outro problema deste setor é o nível dos rendimentos e do bem-estar econômico. As sociedades industrializadas concedem, geralmente, sistemas de pensões e seguros médicos. A partir de 1920, o número de pessoas idosas nas sociedades industrializadas aumentou de forma considerável.

Ácido Úrico

Úrico, Ácido, composto nitrogenado, branco, inodoro e insípido, cuja fórmula é C3H4N4O3.

Formado como resultado do metabolismo das proteínas, está presente na urina humana e, em quantidades maiores, na urina de pássaros e répteis. Ao aquecer-se, forma uréia, amoníaco e dióxido de carbono.

Hérnia

Hérnia, saída total ou parcial de um órgão ou estrutura através da parede da cavidade que o contém. As hérnias são classificadas segundo a estrutura ou a localização. Assim, a hérnia inguinal, a mais freqüente, é a saída das alças do intestino através da parede abdominal na área inguinal (a área da virilha).

Geralmente, ocorrem devido a um esforço excessivo em cavidades cuja parede está debilitada. Por exemplo, uma hérnia inguinal pode ocorrer, quando se levanta de forma brusca um objeto muito pesado ou em um acesso de tosse. São consideradas redutíveis quando desaparecem de forma espontânea ou com uma pressão suave e manipulação externa. Quando uma hérnia não pode ser reduzida, chama-se estrangulada; as hérnias estranguladas geralmente são dolorosas e devem ser operadas.

Hiperatividade

Hiperatividade, afeta a crianças de pouca idade, manifestando-se por estas apresentarem níveis de atividade exacerbados, dificuldade de concentração, incapacidade para controlar os impulsos, intolerância à frustração e, em muitos casos, problemas de comportamento.

Os fármacos estimulantes como o metilfenidato (uma anfetamina) mostraram-se eficazes para freiar a hiperatividade, embora nem sempre consigam melhorar a aprendizagem e possam interferir com o apetite e o sono.

Juramento de Hipócrates

Juramento de Hipócrates, juramento antigo realizado pelos médicos em sua cerimônia de graduação. É atribuído a Hipócrates, médico grego considerado por muitos o pai da medicina. Como código de comportamento e prática, proíbe aos médicos a realização de abortos, eutanásia ou cirurgia. Exige também a promessa de não manter relações sexuais com os pacientes e guardar segredo profissional das confidências que estes fizerem.

Apesar de alguns princípios postulados no juramento hipocrático ainda serem vigentes, como a importância do segredo profissional e da manutenção do princípio de justiça com relação ao paciente, outros aspectos carecem hoje de interesse. Muitos médicos respeitam o direito de escolha da mulher entre ter um filho ou abortá-lo, sempre e quando as leis de cada país permitirem, e em alguns países a eutanásia é aceita em determinados casos extraordinários.

Artigo - Materno Infantil

O TERAPEUTA OCUPACIONAL NA RELAÇÃO MATERNO-INFANTIL

Patrícia Ferreira Bezerra.
Universidade do Estado do Pará - UEPA.

INTRODUÇÃO


Para que se possa compreender o papel do Terapeuta Ocupacional como facilitador da relação materno-infantil, primeiramente faz-se necessário apresentar conteúdos teóricos para um melhor entendimento acerca dos processos que constituem essa relação, bem como das diversas formas nas quais esta pode apresentar-se. Logo após esses conceitos, serão propostos os objetivos da Terapia Ocupacional no contexto materno-infantil, bem como algumas das diversas formas de intervenção prática junto a mães no período de hospitalização pós-parto, de acordo com a realidade observada no setor de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Clínicas Gaspar Viana.

Vale ressaltar que este trabalho visa demonstrar alternativas para melhorar a qualidade de vida e favorecer o desenvolvimento psíquico saudável da criança, com enfoque voltado a ela, apesar da atuação terapêutica destinar-se à mãe, a partir da qual têm origem os principais componentes que podem desencadear distúrbios no desenvolvimento infantil.



1. O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA E AS RELAÇÕES OBJETAIS.

O bebê não nasce com percepções perfeitas; estas desenvolvem-se (...) com a experiência e a crescente maturidade (Gesell, 1999, p. 8).

Ao nascer, a criança é um organismo que reúne aspectos congênitos e tendências, não possuindo consciência ou percepção consciente, somente recebendo estímulos biológicos e psíquicos. Cada criança apresenta um equipamento congênito diferente, formado a partir de componentes hereditários, influências da vida intra-uterina e experiências a partir do parto. Dentro dessa totalidade, primeiramente indiferenciada, é que irão se desenvolver as funções e estruturas psíquicas, e as pulsões instintivas, diferenciadas progressivamente. 1, 4

Ao primeiro ano de vida, a sobrevivência da criança dependerá da elaboração de elementos para sua adaptação ao meio, sendo que, sozinha, ela é incapaz de sobreviver. Assim, a satisfação de suas necessidades deve ser realizada pela mãe ou substituto adequado, através de uma relação de complementação mútua, até que a criança se torne menos dependente do meio, somática e psicologicamente. 4

Sob o ponto de vista psíquico, que será abordado neste trabalho, a criança recém-nascida (RN) ainda não diferencia seu contingente anatômico do meio físico, fazendo com que seu desenvolvimento psicológico seja essencialmente dependente das relações sociais (objetais) que irá estabelecer, a partir das quais esta diferenciação terá início, assegurando a sobrevivência da criança e contribuindo para seu desenvolvimento psíquico, somático, e para a formação de sua personalidade. 1, 4

Este processo ocorre através dos mecanismos de maturação (desdobramento das funções inatas da espécie humana, tendo início desde o período embrionário) edesenvolvimento (construção de funções e comportamentos resultantes da interrelação da criança consigo mesma e com o meio externo). Assim, no RN ainda não há ego, simbolismo ou mecanismos psíquicos de defesa, podendo-se encontrar somente traços fisiológicos que mais tarde permitirão à psique desenvolver-se. 4

Sabe-se também que, ao nascer, a criança passa por várias etapas de desenvolvimento motor, psíquico e social, sendo que inicialmente a presença da mãe é o agente externo estimulante para as suas respostas, determinadas conforme os afetos e comportamentos maternos. É justamente essa relação entre mãe e filho que se constituirá na primeira relação objetal da criança, onde um vínculo inicialmente fisiológico transforma-se gradualmente na primeira relação social humana, passando de uma interação parasítica intra-uterina a uma simbiose psicológica, durante o primeiro ano de vida, culminando posteriormente nas interações sociais.4

O objeto libidinal da criança, ou seja, aquele que torna possível a satisfação de suas pulsões instintuais, muda constantemente, de acordo com a maturação e diferenciação dessas pulsões. Assim, no RN, as relações objetais constituem-se a partir de um sujeito (o próprio RN) e um objeto (inexistente), pois inicialmente a criança apresenta-se em um estágio pré-objetal, passando posteriormente a um estágio precursor do objeto, e ao estágio do próprio objeto libidinal. 4

Durante o estágio pré-objetal, a criança apresenta uma barreira que a protege contra estímulos externos, sendo suas sensações basicamente interoceptivas e proprioceptivas. Qualquer estímulo que rompa essa barreira de proteção irá desencadear reações de desprazer na criança (como o choro por exemplo). Após o nascimento, esse comportamento é observado somente quando a criança é submetida a estímulos que ultrapassam seu limiar perceptivo, provocando-lhe desconforto. 4

Freud citado por Spitz (1996) afirma que, como não há consciência ao nascimento, o que se chama "trauma do nascimento" não deixa lembrança na criança. O que se observa é um breve estado de excitação, com características de desprazer, o que caracteriza o princípio do nirvana (qualquer tensão que ultrapasse o limiar de excitabilidade precisa ser descarregada), a partir do qual as funções psíquicas irão se desenvolver e se consolidar, governadas inicialmente pelo princípio do prazer-desprazer, e posteriormente pelo princípio da realidade. 4

Já as manifestações de prazer no RN traduzem-se na sua quietude, e não em atitudes que geralmente sugerem prazer (como sorrisos reflexos ou agitação motora), assim como a sua maneira de demonstrar afeto não é tão explícita ou óbvia quanto a de um adulto. 4

Todos os estímulos que incidem sobre o bebê logo após o nascimento lhe são estranhos ou possuem pouco significado, sendo que as primeiras reações cognitivas vão gradualmente sendo acrescentadas, para formar uma imagem do mundo para a criança. Os traços de memória, porém, são estabelecidos enquanto o processo de percepção ainda está se desenvolvendo.1, 4

Alguns fatores que contribuem para a proteção da criança contra os estímulos externos prejudiciais são a barreira de excitabilidade (já citada), a seletividade dos estímulos (capacidade da criança selecionar os estímulos que podem lhe satisfazer) e o meio ambiente, do qual a mãe faz parte, e desempenha o papel de proteger o bebê da sobrecarga de estímulos desagradáveis (temperatura, fome, ruídos, luminosidade, etc.). Assim, a mãe dá assistência ao bebê quanto há descarga de tensão relacionada aos estímulos externos, alimentando-o, trocando-o, cobrindo-o, e modificando suas condições e aliviando tensões desagradáveis.4

O RN possui reações inatas, determinadas fisiologicamente, como a realização de seqüências de movimentos reflexos (por exemplo, o segurar, sugar o bico do seio, engolir, e soltá-lo ao final da mamada). Esse tipo de comportamento é desencadeado pelo conjunto de sensações do RN, onde a sensação é centrada no sistema nervoso autônomo, e manifesta-se sob a forma de emoções, onde a recepção do estímulo desencadeia o comportamento, constituindo uma organização cinestésica do comportamento. Outro tipo de organização, que deriva desta, é a organização diacrítica, na qual a recepção ocorre através dos órgãos dos sentidos, e centraliza-se no córtex, desencadeando reações cognitivas e pensamentos conscientes, estando ainda ausente no RN. 4

É por volta do fim da primeira semana de vida que o bebê começa a responder aos estímulos. Aparecem os primeiros traços de comportamento dirigido para um alvo, isto é, a atividade, presumivelmente associada ao processo psíquico, que parece se estabelecer segundo reflexos condicionados
(Spitz, 1996, p. 35).


Por volta da 2a semana de vida, verifica-se um aprendizado relacionado à sensibilidade proprioceptiva, desencadeando reações de equilíbrio e comportamentos cotidianos condicionados, como virar a cabeça para mamar ao ser colocado na posição habitual para amamentação. Ao 2o mês, porém, apesar da evolução desta percepção, os estímulos só são percebidos quando a criança sente necessidade deles, ou seja, o bebê reage somente a estímulos que estejam de acordo com suas percepções interoceptivas, baseando sua interação com o mundo na tensão gerada pelas suas pulsões. Assim, para que o bebê volte sua atenção a um estímulo, é necessário primeiramente que haja uma reação proprioceptiva ou interoceptiva, fazendo com que o bebê sinta necessidade deste, e, em segundo lugar, que o estímulo externo apresentado seja associado com a satisfação de sua necessidade. No 3o mês, o bebê já reage a rostos humanos, talvez por estes estarem associados a satisfação de suas pulsões (prazer ou suspensão do desprazer). 4

Uma vez não saciado, o bebê é envolvido pela sensação de desprazer (manifestada, por exemplo, pelo choro), e não consegue perceber a presença do objeto de satisfação de sua necessidade, pois há uma tensão que não permite com que o estímulo seja percebido, que ocorre quando o bebê procura descarregar o desprazer (princípio do nirvana). Assim, para que a criança consiga perceber o estímulo, a descarga de desprazer deve cessar, através da intervenção externa. Só então a percepção volta a atuar, e a criança pode tomar conhecimento do objeto de satisfação. 4

Assim, a relação materno-infantil produz um diálogo que constitui um mundo exclusivo ao bebê, com uma dinâmica e um clima emocional específico, o qual é o "... fator mais importante para tornar a criança capaz de construir gradualmente uma imagem coerente de seu mundo" (Spitz, 1996, p. 32), sendo justamente "este ciclo de ação-reação-ação que torna o bebê capaz de transformar os estímulos sem significado em signos significativos" (Spitz, 1996, p. 33).

Analisando-se, todavia, essa relação, observa-se que a estrutura psíquica da mãe é muito diferente da estrutura da criança, fazendo com que a relação ocorra de forma assimétrica, com contribuições desiguais para o relacionamento. 4 Exemplos dessas diferenças são mostrados no Quadro 1.



Quadro 1. Diferenças Psíquicas na Relação Materno-Infantil. 4

Função

Mãe

Criança

Estrutura da Personalidade

Organizada - Iniciativas específicas para interação no relacionamento.

Não há iniciativa ou intercâmbio psíquico (somente fisiológico).

Meio Externo

Percepção constituída de fatores diversos e numerosos, formando campos de força mutáveis, que influenciam sobre seus comportamentos.

Meio constituído exclusivamente pela mãe ou substituta que satisfaz suas necessidades, mesmo quando o RN a percebe como parte de sua totalidade.


Diante das características apresentadas, acredita-se que o Terapeuta Ocupacional deve objetivar um trabalho dirigido à mãe e ao meio que a rodeia, o qual influencia em seus comportamentos, em prol do bem estar e do desenvolvimento saudável da criança e de suas relações sociais.

Para isso, portanto, é necessário que se conheça os diversos tipos de comportamento materno que podem influenciar negativamente no desenvolvimento das relações infantis e interação da criança com o meio externo, permitindo ao Terapeuta Ocupacional investigar o padrão da dinâmica e do mecanismo de relacionamento entre mãe e filho, e intervir adequadamente, caso necessário.


2. TIPOS DE COMPORTAMENTO MATERNO E SUAS CONSEQÜÊNCIAS.

Na relação mãe-filho, a mãe é o parceiro ativo e dominante. A criança, pelo menos no início, é a receptora passiva (Spitz, 1996, p. 153).

Para que o bebê possa desenvolver-se psiquicamente de forma saudável, ele precisa ter uma relação suficientemente boa com a mãe, que deve voltar sua atenção e preocupação à criança, sem entretanto apresentar ressentimentos ou sentimentos negativos em relação a ela. A mãe precisa adaptar ativamente a criança ao ambiente, de forma gradual, conforme suas necessidades, modificando seu comportamento de acordo com o crescimento e a maturação da criança, naturalmente. 5

É a personalidade e o comportamento da mãe que vai levar a criança a se desenvolver normalmente ou não. Assim, alterações na personalidade materna poderão ter repercussões psíquicas significativas na criança, levando-a a uma série de distúrbios, os quais são fundamentalmente derivados de relações insatisfatórias entre mãe e filho, sejam estas inadequadas (alterações qualitativas nas relações) ou insuficientes (alterações quantitativas). 4

No caso das relações inadequadas, o quadro clínico apresentado pela criança é conseqüente do tipo de comportamento da mãe aliado a fatores congênitos, e irá depender da fase de desenvolvimento do ego e da libido da criança no momento do estabelecimento da relação prejudicial. 4

Os principais padrões patológicos de comportamento materno são: 4

  • Rejeição Primária Manifesta.
  • Pode ocorrer diante da rejeição da gravidez, e consequentemente da criança, caracterizando uma rejeição da maternidade de um modo geral, cuja origem está na história individual da mãe, como nas relações com seu próprio pai, com o pai da criança, repercussões psíquicas da ansiedade da castração e da maneira pela qual resolveu ou não seus conflitos edipianos. 4

    Pode ser detectada a partir da observação de alguns sintomas maternos, como queixas de "falta de leite", tensão na presença da criança, falta de intimidade com ela, ou queixas dolorosas. 4

    A criança pode apresentar quadros como dispnéia, palidez extrema, diminuição da sensibilidade, ou até mesmo coma, sendo que, muitas vezes, tanto a mãe como a criança precisam receber intervenção externa, como aplicação de condutas médicas e orientações quanto a amamentação e cuidados com o bebê, por exemplo. Quanto tratada a tempo, a rejeição pode provocar seqüelas psicossomáticas muito pequenas. 4

  • Superpermissividade Ansiosa Primária.
  • Pode ser detectada a partir de uma solicitude exagerada da mãe quanto a alimentação da criança, onde, diante de qualquer manifestação de desprazer, a mãe tende a alimentá-la. É frequente em crianças cuidadas por suas próprias mães e familiares, senso rara em crianças que crescem em creches ou longe da família, e pode resultar da tentativa da mãe compensar uma hostilidade inconsciente. 4

    Como conseqüência, a superpermissividade materna apresenta a chamada "cólica dos três meses", onde a partir da 3a semana de vida a criança pode apresentar sintomas de cólica e choro, que cessam temporariamente após a alimentação, e retornam posteriormente, geralmente toda tarde, durando até o 3o mês de vida, quando passam. A cólica dos três meses é um fenômeno fisiológico originado de aspectos psicológicos expressos em comportamentos que a desencadeiam. 4

    O mecanismo pelo qual essa sintomatologia ocorre, consiste na superposição de fatores genéticos, que tendem a provocar um aumento no número de comportamentos de desprazer da criança, e ambientais, onde a amamentação excessiva faz com que o aparelho digestivo aumente sua atividade, e os movimentos peristálticos fiquem mais rápidos. Esta sobrecarga aumenta a tensão da criança, levando-a a um comportamento de desprazer, e constituindo um círculo composto pela descarga da tensão e pelo excesso de alimentação. 4

    A amamentação satisfaz a criança por possuir duas funções essenciais: a alimentação e a descarga de tensão através da atividade oral (fundamental principalmente nas primeiras semanas), levando a diminuição da ansiedade tanto da mãe como da criança. 4

    Ao 3o mês, entretanto, as mães já tendem a reconhecer e interpretar melhor as solicitações da criança, ou já não sentem mais tanta necessidade de oferecer alimentos em todo comportamento sugestivo de desprazer, assim como a criança já desenvolveu mecanismos alternativos para descarregar a tensão, como movimentos ou interações sociais, canalizando suas energias a outras atividades. 4

    Intervenções simples consistem em oferecer a chupeta à criança, através da qual ela deve descarregar a tensão, sem entretanto ingerir o excesso de alimento que provoca as cólicas. Outra alternativa é segurar e embalar a criança, o que proporciona estimulação proprioceptiva através do movimento, do contato corporal e da sensibilidade térmica, levando também ao alívio da tensão. 4

    Assim, deve-se ter cuidado com a amamentação sob livre demanda, que precisa ser orientada com cautela, e por profissionais que compreendam tanto os mecanismos físicos como psíquicos que envolvem a mãe e a criança, a fim de que a primeira não a deturpe em prol do alívio de seus conflitos psicológicos. 4



  • Hostilidade Disfarçada em Ansiedade.
  • Em alguns casos, pode ocorrer uma ansiedade materna em relação ao filho, devido a uma hostilidade reprimida. Como principais sinais maternos, pode-se citar a pouca concentração da mãe em relação aos cuidados com a criança, a qual voltando sua atenção a outras coisas simultaneamente (como conversas paralelas por exemplo), manifestando uma rejeição inconsciente ao toque à criança, preocupação excessiva em não machucar o bebê (fragilidade e vulnerabilidade), personalidade infantil, preocupação exagerada e exposição da criança a riscos desnecessários (por exemplo, vestindo a criança demasiadamente para que ela não fique com frio, a mãe pode acabar sufocando-a). 4

    A dermatite atópica é a principal conseqüência da hostilidade materna disfarçada em ansiedade, constituindo-se numa doença de pele que tem início na segunda metade do primeiro ano de vida, manifestada principalmente em áreas de flexão (dobras da pele), podendo apresentar exudação e descamação, e tendendo a desaparecer na primeira metade do segundo ano de vida. 4

    Os fatores que a determinam são a predisposição genética (vulnerabilidade cutânea, com aumento da sensibilidade ao toque) e influências do ambiente (retardo no desenvolvimento afetivo por um distúrbio nas relações objetais). Observa-se também que estas crianças geralmente não passam pela ansiedade dos 8 meses (ansiedade indicativa do desenvolvimento das relações objetais, onde a criança aprende a diferenciar o conhecido do desconhecido). A criança frequentemente desenvolve atraso na aprendizagem (imitação e memória) e nas relações sociais. 4



  • Oscilação entre Mimo e Hostilidade.
  • Geralmente ocorre em mulheres extrovertidas e positivas, porém de personalidade infantil, e com facilidade para "explodir" conforme suas emoções. Assim, o comportamento da mãe leva a criança a estabelecer uma relação contraditória dos objetos através de representações conflitantes, resultando na libidinização do corpo e de suas partes, e em um distúrbio na formação do objeto, onde a criança pode acabar tornando-se uma válvula de escape da mãe, sendo vítima de explosões intensas de carinho ou de hostilidade e raiva. 4

    A conseqüência é que, na primeira infância, o balanceio torna-se a principal atividade da criança, substituindo a maioria das atividades comuns a essa idade por essa atividade de caráter auto-erótica, que constitui-se numa relação pré-objetal narcisista. Pode-se também observar posteriormente um retardo no desenvolvimento da criança, de sua adaptação social e da capacidade manipulatória (de objetos e brinquedos por exemplo), resultando em prejuízos nas relações com o meio e falta de iniciativa. 4



  • Oscilação Cíclica de Humor.
  • Ocorre em mães que apresentam sintomas clínicos de depressão, e oscilações de humor que variam desde hostilidade e rejeição a superproteção da criança. Um comportamento hostil inconsciente está sempre presente, com ambivalência de sentimentos. 4

    O amor materno excessivo dura geralmente os dois primeiros meses, sendo substituído por uma hostilidade também temporária, de duração média similar, constituindo um círculo oscilatório entre amor e hostilidade. 4

    Esses períodos, entretanto, são suficientes para que a criança estabeleça uma relação com aquele objeto, que repentinamente se transforma em seu contrário, onde a criança forma novas relações objetais, porém não consegue compensar a perda do primeiro. 4

    Como conseqüência, pode-se observar a manipulação e ingestão fecal, que são atividades que envolvem relações objetais concretas, e que indica perpetuação da relação objetal já conseguida, onde a criança tenta incorporar oralmente o objeto perdido. A maioria das crianças apresenta simultaneamente sinais depressivos. 4



  • Hostilidade Consciente Compensada.
  • Consiste numa atitude extremamente bem disfarçada, onde a criança constitui-se num meio de satisfação narcisista e exibicionista, e não num objeto de amor. A atitude porém é consciente, e a mãe busca compensar sua culpa com uma "doçura melosa". É principalmente encontrada em indivíduos de nível intelectual mais elevado. 4

    A criança é geralmente rodeada por muitos brinquedos, para compensar a culpa dos pais, e apresentará uma predisposição à hiperatividade por volta do segundo ano de vida, com comportamento não muito sociável e destrutivo em relação aos brinquedos, desinteressada pelo contato humano, hostil e agressiva. 4



    Quanto às relações insuficientes, estas dividem-se em privação total ou privação parcial do contato da criança com a mãe, onde a criança se vê privada das relações objetais (quando não há um substituto adequado aceito pela criança), levando à carência de provisões libidinais. 4

    Para este trabalho, são válidas algumas considerações sobre a privação parcial, apesar desta dificilmente ser encontrada em um ambiente hospitalar humanizado, como o Hospital de Clínicas Gaspar Viana, acreditando-se serem as privações totais ainda menos frequentes.

    Nos casos de privação parcial, a personalidade materna tem ainda menor influência sobre os comportamentos infantis, devido ao pouco convívio entre ambos. Nesses casos, geralmente a criança desenvolve-se normalmente até o sexto mês de vida, podendo demonstrar atitudes que sugerem felicidade e boa sociabilidade. A partir desse período, pode-se observar choro frequente, seguido por retraimento, perda de peso, insônia, inexpressividade facial, dificuldades para alimentar-se, com vômitos, agitação ou estupor, podendo-se caracterizar um quadro de depressão anaclítica. 4

    Todos esses sintomas ocorrem devido a privação materna por um período superior a 5 meses, sem aceitação de um substituto adequado pela criança, ou seja, pela separação da criança de seu objeto libidinal. Entretanto, isto só ocorre caso a criança tenha tido uma boa relação com a mãe antes da separação. Caso contrário, será menos traumática a substituição do objeto relacional da criança. 4



    3. PROPOSTAS DE INTERVENÇÃO TERAPÊUTICA OCUPACIONAL.

    Diante do exposto, torna-se evidente a importância de uma intervenção terapêutica ocupacional na relação materno-infantil, a fim de favorecer o estabelecimento de relações adequadas entre mãe e filho, e consequentemente o desenvolvimento psíquico saudável da criança.

    Para que isso ocorra, considera-se primeiramente necessária uma investigação acurada acerca dos mecanismos que envolvem essa relação, a partir da coleta de dados sobre os aspectos referentes a mãe, como desenvolvimento psíquico, relações sociais, e especificidades da personalidade, seguida pela análise das condições que determinaram a gestação, bem como seu curso e suas características. Todos esses dados podem ser obtidos através de anamnese formal, investigação informal, observação, e coleta de informações através do prontuário da cliente.

    Devido ao curto período de hospitalização pós-parto, o Terapeuta Ocupacional precisa ter habilidade para avaliar e intervir junto à relação materno-infantil em um, dois ou na melhor das hipóteses três atendimentos, em um ambiente que nem sempre favorece uma relação terapêutica satisfatória, devido a falta de privacidade e ocasionais intervenções da equipe hospitalar para realização dos procedimentos necessários.

    O Terapeuta Ocupacional pode confrontar-se também com uma variável importante: a presença ou não da criança junto a mãe na enfermaria, visto que em alguns casos, a criança necessita de um acompanhamento médico intensivo, sendo afastada da mãe, a qual, porém, segundo a dinâmica do Hospital de Clínicas Gaspar Viana, pode visitá-la a qualquer momento.

    Diante disso, o Terapeuta Ocupacional precisa analisar diversos aspectos no momento da avaliação e intervenção terapêutica, que, na maioria das vezes, precisam ocorrer simultaneamente. A partir do momento em que o Terapeuta Ocupacional identifica o tipo de relação estabelecida entre a mãe e a criança, ele pode traçar estratégias que busquem favorecê-la ou torná-la mais adequada, utilizando atividades como recursos que facilitem este processo.

    Moulard (1998) cita como principais conceitos e objetivos gerais de qualquer profissional que trabalhe com a saúde psíquica do ser humano, os seguintes itens:



    • Concepção deste como pessoa que precisa ter consciência de seu corpo, sentimentos e do meio ambiente.
    • Reconhecimento de que essa pessoa tem condições de assumir suas próprias experiências, sem projetá-las sobre as demais.


    • Ajudá-lo a tomar consciência de suas necessidades, e buscá-las sem prejudicar aos outros.


    • Orientá-lo para que estabeleça um contato pleno e menos defensivo com as pessoas, de modo que possa valorizar seus aspectos individuais.


    • Buscar conscientizá-lo de que pode usufruir dos prazeres que a vida lhe oferece.


    • Incentivar o desenvolvimento da sensibilidade em relação aos que o cercam, e lutar contra situações potencialmente destrutivas.


    • "Desenvolver a responsabilidade de assumir suas ações e as suas conseqüências" (p. 25).


    • Faze-lo sentir-se confortável diante das situações que lhe são apresentadas.



    Todos esses aspectos podem aplicar-se na intervenção terapêutica junto a relação materno-infantil, bem como ao tratamento de outras alterações, sejam elas físicas, psíquicas ou sociais.

    De um modo geral, acredita-se que os objetivos terapêuticos ocupacionais junto ao favorecimento das relações materno-infantis, apesar de variáveis conforme as observações realizadas durante a avaliação de cada caso, constituam-se principalmente em:



    • Buscar a satisfação das necessidades psíquicas da mãe e da criança de forma saudável.


    • Facilitar a compreensão dos comportamentos da criança por parte da mãe.


    • Estimular a afetividade e intimidade entre a mãe e a criança.


    • Favorecer a iniciativa materna em busca da adaptação da criança às suas necessidades.


    • Buscar, juntamente com a mãe, estratégias para adaptação da criança ao seu ambiente familiar e social.


    • Orientar quanto ao manejo da criança durante as atividades diárias.


    • Reduzir as influências externas sobre o comportamento materno, orientando-a a não permitir que fatores externos influenciem no seu relacionamento com o bebê.


    • Orientar quanto a mudanças na dinâmica familiar.


    • Favorecer a análise crítico-reflexiva da mãe em relação aos seus comportamentos diante da criança e suas influências no desenvolvimento desta.

    Especificamente diante de evidências sugestivas de alterações comportamentais maternas, sugere-se os seguintes objetivos, ressaltando-se, porém, que estes podem misturar-se, assim como os sintomas apresentados pela mãe, devendo o Terapeuta Ocupacional adequá-los a cada caso particular.



    • Rejeição Primária Manifesta.
    • Buscar a aceitação da maternidade e da criança.


    • Favorecer as relações familiares e a resolução de conflitos.


    • Facilitar a relação corporal entre mãe e filho, proporcionando momentos agradáveis.


    • Orientar quanto a técnicas para amamentação e cuidados com o bebê.


    • Superpermissividade Ansiosa Primária.
    • Incentivar a observação dos comportamentos da criança e a compreensão de suas necessidades.


    • Orientar quanto a técnicas de massagem para favorecer a descarga de tensão da criança através da estimulação proprioceptiva.


    • Orientar cuidadosamente quanto a amamentação sob livre demanda.


    • Reduzir a ansiedade materna.


    • Hostilidade Disfarçada em Ansiedade.
    • Incentivar a concentração diante dos cuidados com a criança.


    • Estimular o contato corporal entre a mãe e o bebê.


    • Demonstrar técnicas para manipulação da criança de modo a não machucá-la.


    • Estimular o sentimento de maternidade e a compreensão das necessidades da criança.


    • Oscilação entre Mimo e Hostilidade.
    • Proporcionar uma reflexão da mãe sobre seus comportamentos diante do meio e da criança.


    • Incentivar a adoção de técnicas de auto-controle (meditação e auto-análise de comportamentos).


    • Oscilação Cíclica de Humor.
    • Buscar solidificar o vínculo entre mãe e filho.


    • Desestimular comportamentos de superproteção.


    • Orientar a mãe a manter uma relação estável com a criança.


    • Hostilidade Consciente Compensada.
    • Estimular uma relação particular entre a mãe e a criança, sem interferências externas.


    • Incentivar a atenção e preocupação com as necessidades físicas e psíquicas da criança.


    • Favorecer a afetividade e a interação entre todos os membros da família.


    • Demonstrar a importância das relações sociais para o desenvolvimento da criança.


    • Privação Parcial.
    • Estimular a participação ativa da mãe durante a hospitalização da criança.


    • Buscar, juntamente com a mãe, alternativas que visem favorecer a dinâmica das relações materno-infantil e familiar após a alta hospitalar da mãe.

    Para que os objetivos propostos sejam alcançados, o Terapeuta Ocupacional conta com uma poderosa ferramenta: a ocupação (atividade) humana. É a partir da atividade que o Terapeuta Ocupacional deve introduzir os conceitos e reflexões que irão favorecer o relacionamento materno-infantil.

    A escolha dessa atividade, portanto, estará diretamente ligada às características da mãe e do relacionamento que esta tem com a criança, devendo fazer parte de seu contexto sócio-cultural e estar de acordo com os objetivos terapêuticos determinados.

    O Terapeuta Ocupacional conta com uma extensa variedade de recursos em prol do alcance de seus objetivos, dentre os quais pode-se citar, a título de ilustração:

    • Treino de AVD com a mãe e a criança (higiene, amamentação, proteção, etc.).


    • Orientação quanto a aplicação de técnicas de massagem pela mãe na criança (como a técnica de Shantalla por exemplo).


    • Técnicas de relaxamento que busquem reduzir a ansiedade materna, e/ou estimular sentimentos positivos referentes a maternidade.


    • Atividades artesanais destinadas à criança (como a confecção de pulseiras, porta retratos, álbuns, diários do bebê, etc.).


    • Atividades auto-expressivas (pintura, desenho, colagem), visando tornar conscientes processos psíquicos prejudiciais à relação materno-infantil que possam ser trabalhados através de atividades reais.


    CONCLUSÃO.

    Acredita-se que o Terapeuta Ocupacional é um profissional extremamente indicado ao tratamento de alterações nas relações materno-infantis, sejam estas evidentes ou não, devendo fazer parte da equipe hospitalar como profissional ativo na busca da melhoria da qualidade de vida e desenvolvimento saudável da mãe e da criança, durante e após a hospitalização.

    Apesar de considerar-se a fundamentação teórica apresentada rica em termos de conteúdo, vale ressaltar que faz-se necessário a todo profissional que deseje atuar nessa área, um aprofundamento maior acerca das intercorrências que podem ser observadas no relacionamento materno-infanti, sobretudo no que se refere aos processos de privação, e principalmente sobre as estratégias de intervenção terapêutica ocupacional junto a este.



    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.

    1. BOCK, A. M. B. et al. Psicologias: Uma Introdução ao Estudo da Psicologia. 11 ed. São Paulo: Saraiva, 1998. 319p.


    2. GESELL, A. A Criança do 0 aos 5 Anos. 5 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999. 392p.


    3. MOULARD, G. V. Psicologia e Terapia Ocupacional. Mato Grosso do Sul: Solivros, 1998. 110p.


    4. SPITZ, R. A. O Primeiro Ano de Vida. 7 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1996. 279p.


    5. WINNICOTT, D. W. O Brincar e a Realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975. 203p.

    Globo Reporter - Hidroterapia

    Globo Reporter - Fitoterapia

    Acupuntura - Globo Reporter

    Atividades Físicas - Guia do Bebê

    Natação Infantil: um hábito saudável

    Desde cedo as crianças devem ser incentivadas a exercerem alguma atividade física. As vantagens de um esporte iniciado logo cedo são inúmeras. A natação é uma excelente dica ao público infantil.

    Você quer saber alguns dos benefícios proporcionados pelas atividades físicas? Então vamos lá: melhora a capacidade cardiorrespiratória, o tônus, a coordenação, o equilíbrio, a agilidade, a força, a velocidade, desenvolve habilidades psicomotoras como a lateralidade, as percepções tátil, auditiva e visual, as noções espacial, temporal e de ritmo, sociabilidade e autoconfiança.

    Não podemos nos esquecer de um aspecto fundamental: a criança não deve ser obrigada a fazer aquilo que não gosta. Deixe que ela escolha a sua atividade física. Segundo a Academia Americana de Pediatria, 75% das crianças obrigadas a fazer esportes de que não gostam, até os 15 anos, param de praticar e ficam sedentárias.

    A natação é o esporte que pode fazer parte da vida da criança logo nos primeiros meses. É praticada de forma lúdica e recreativa, sem compromisso com as técnicas, para uma adaptação ao meio líquido.

    Esse esporte contribui para desenvolvimento do ser humano integral, nos aspectos cognitivo, emocional e social. Também é incontestável a eficácia e a eficiência da natação para a melhoria do aspecto físico e da postura essenciais para o desenvolvimento motor do bebê.

    Na natação, a criança pode experimentar os movimentos novos que aprende sem traumas de um tombo como rolar, movimentar perninhas e bracinhos. Além de tudo, é um meio aconchegante oferecido pela água morna.

    Companheiro - As crianças precisam da presença de um acompanhante nas aulas, alguém que a criança confie. Essa relação de confiança é de fundamental importância para o desenvolvimento afetivo do bebê. Além disso, as crianças aprendem com mais segurança, sem medo do desconhecido.

    A importância da natação para a formação de sua personalidade e inteligência é algo que não se pode negar. Com os colegas na piscina, aprendem que cada um tem sua vez e todos são importantes.

    Crianças iniciadas em um programa de adaptação ao meio líquido em idade pré-escolar têm um rendimento mais satisfatório em seu processo de alfabetização.

    Não é de se espantar quando se fala que a natação é um esporte completo. Esse esporte também melhora a resistência do organismo e ajuda na prevenção e recuperação de doenças como asma, bronquite e problemas ortopédicos.

    Quando o bebê estiver com febre, diarréia ou vômito, reações vacinais ou dores de ouvido não o leve para a aula de natação. Agasalhe sempre as crianças antes e depois das aulas.

    Os pais não devem matricular seus bebês nas aulas de natação com o objetivo de formarem campeões, mas sim pela formação de um hábito que lhe renderão boa saúde para sempre. A medalha de campeão em saúde ninguém tirará de seu filho.

    Brincadeiras - Guia do Bebê

    A importância do brincar

    Que adulto não recorda dos velhos tempos de criança, onde as brincadeiras eram ensinadas entre os amigos, vizinhos e promoviam, além de divertimento, a manutenção da saúde e do desenvolvimento psicomotor?

    Nos dias de hoje, a preocupação continua sendo a mesma: da criança interagir em grupo e desenvolver-se. Porém, os meios que favorecem esse acontecimento mudaram do lúdico para o supertecnológico. Algumas crianças são assim, passam grande parte do tempo jogando no computador e no vídeo-game, enquanto o playground do prédio está quase vazio e o dia de sol convida para brincar ao ar livre.

    Muitos pais devem estar se perguntando: como fazer e por onde começar?

    Em diversos livros que tratam do tema desenvolvimento infantil, exemplos são dados, mas não encontramos receitas prontas que indiquem os itens que devemos seguir. O que está ocorrendo, segundo algumas publicações em revistas e jornais, é a numerosa procura por soluções alternativas, onde as crianças possam gastar sua energia.

    Um exemplo conhecido é aquele que, quanto mais atividades a criança abranger (inglês, natação entre outras), melhor será seu desempenho. Atividades extras, são extremamente produtivas, todavia não englobam tudo.

    Às vezes, as crianças conseguem dar conta de todos os seus afazeres, apenas não possuem tempo para a tarefa principal desta fase, que é o brincar, pois seguem horários até para a diversão.

    Ao pensarmos na importância do brincar no desenvolvimento global, encontramos na literatura que o jogo, seja de que tipo for, é o meio natural da criança se auto-expressar, já que detém a oportunidade de libertar seus sentimentos e descontentamentos, através da utilização do brinquedo. Na psicologia esta interação compõem a ludoterapia.

    A criança tem dentro de si potencial e este emerge nas situações de sua vida, e nestes momentos, o indivíduo apresenta ao mundo seu ritmo e sua harmonia. E o brinquedo nada mais é do que a linguagem da criança.

    Luciana Lopez Fescher
    Psicóloga Clínica

    Matéria - Guia do Bebê

    Sexualidade Infantil - 4 e 5 anos

    Procurarei colocar para vocês alguns pontos importantes sobre sexualidade infantil, baseando-me em minha prática clínica no consultório e com grupos de mães, onde sempre aparecem dificuldades nesta área, seja através de pais aflitos com seus filhos ou mesmo de adultos que trazem algumas questões de ordem sexual que se originaram na infância e adolescência.

    Já faz quase um século que Freud descreveu a sexualidade infantil, escandalizando a sociedade daquela época. Desde então, muito se estudou e falou sobre este assunto e, mais recentemente, com a inclusão da educação sexual nas escolas, os pais estão se dando conta de que as antigas fórmulas de "se livrar" do problema já não funcionam mais.

    As crianças sofrem cada vez mais a influência da TV, de amigos, de parentes, de babás e empregadas, muitas vezes recebendo noções erradas e prejudiciais. Se nós, os pais, conseguirmos manter um canal aberto com nossos filhos, poderemos discutir e intervir no que não nos parecer correto.

    Freqüentemente temos dúvidas sobre o que responder e até onde responder às perguntas de nossos filhos. Queremos que nossos filhos sejam mais bem preparados do que fomos, e que vivam sua sexualidade de forma mais consciente, mas não sabemos como fazê-lo. É importante, primeiro, que nos remetamos às nossas próprias dúvidas a este respeito quando éramos crianças e a como teríamos gostado que tivesse sido nossa orientação. Desta forma fica mais fácil entender a curiosidade de nossos filhos.

    A sexualidade é uma coisa natural nos seres humanos, é uma função como tantas outras. Freqüentemente estimulamos a evolução de nossos filhos em vários aspectos (comer sozinhos, andar, ler...), mas com a sexualidade somos cuidadosos e até mesmo preconceituosos. A criança fica com a sensação de que faltam pedaços em seu corpo - elogiamos olhos, perninhas, cabelos e outros, mas não falamos em seus órgãos sexuais.

    Educação sexual é um processo de vida inteira: teremos tempo de melhorar o que não conseguirmos explicar da forma como gostaríamos. Não é fácil para pais que não foram educados desta forma em sua infância, mas o importante é tentar melhorar a educação que possam oferecer a seus filhos. É bom saber que, assumindo ou não a tarefa de orientá-los, conversando ou não, estaremos dando educação sexual. Dependendo da atitude dos pais, as crianças aprendem se sexo é bonito ou feio, certo ou errado, conversável ou não.

    Há até bem pouco tempo, dizia-se às crianças que elas teriam vindo trazidas pela cegonha, ou que haviam sido compradas no hospital, ou ainda que teriam brotado de uma flor, etc. Hoje, sabemos que não há necessidade de mentir às crianças, mesmo porque elas são muito mais espertas, recebem informações de várias fontes, e, portanto, estas "mentirinhas bobas" só servirão para nos desacreditar ante os nossos filhos. Não pode ser considerado feio falar de algo que é natural. O melhor a fazer é falar a verdade, introduzindo neste momento palavras científicas ( pênis, vagina) para que possamos mostrar a seriedade do assunto, evitando assim gozações, malícia, palavras de duplo sentido.

    Inicialmente, as dúvidas das crianças dizem respeito às diferenças anatômicas entre os sexos e ao nascimento propriamente dito. Elas fazem suas próprias teorias sexuais, hipóteses acerca de como os bebês vão parar nas barrigas de suas mães. Aos poucos, estas teorias vão sendo questionadas e surgem então as dúvidas a respeito de como são produzidos, enfim, os bebês.

    As respostas devem ser simples e claras, não havendo necessidade de responder além do que lhe for perguntado. Dar respostas insuficientes faz com que a criança pergunte mais e mais ou, ainda, que vá procurar as respostas em outras fontes nem sempre confiáveis; por outro lado, dar respostas extensas demais, do tipo "aula completa", também não é indicado, é preciso buscar respostas de acordo com o que a criança for solicitando. É importante ficar claro o que exatamente ela gostaria de saber, para que a medida da resposta seja suficiente. A própria criança dará os sinais do momento mais adequado de saber cada coisa.

    Alguns de vocês podem estar se perguntando: "Será que tanta informação não acabará por estimular na direção errada?", ou então pensar: "Eu não recebi educação sexual alguma e estou muito bem". Contrariando preconceitos, pesquisas mostram que crianças esclarecidas tendem a ser mais responsáveis e a adiar o início de sua vida sexual (até porque sua curiosidade foi devidamente saciada) até que amadureçam, possam fazer uso de anticoncepcionais e escolher o parceiro certo.

    As outras vantagens de conversar com os filhos sobre sexo desde as primeiras dúvidas são: aumentar a intimidade e a afetividade entre si; abrir caminhos para que se possa conversar sobre tudo; informar corretamente, reduzindo as fantasias e a ansiedade delas decorrente; e, por fim, prevenir futura gravidez indesejável e contaminações por doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis e a AIDS, entre outras.

    Muito importante será nossa atitude ao responder às perguntas: o tom de voz, a segurança nas informações, o fato de estarmos ou não à vontade, tudo isto é captado pela criança também sob a forma de informação.

    Há ainda a freqüente dúvida sobre quem deve falar com a criança. O ideal será sempre que o casal possa fazer isto junto, pois oferecerão visões diferentes e enriquecedoras, mas dependerá da identificação que a criança tiver com os pais ou com um deles em especial naquela fase da vida, ou, ainda, do temperamento de cada um. Pode ser mais fácil para um dos dois tocar neste assunto, evitando o "jogo do empurra". Ajudará muito o casal discutir claramente entre si antes de conversar com a criança.

    É possível que vocês se perguntem: "Que palavras usar?". Não é necessário ser especialista, mas acessível. À criança de menos de cinco anos, é preciso ser mais claro e preciso, já as maiores podem compreender uma informação mais elaborada. Não é preciso ser especialista para dar uma informação suficientemente boa. O fato é que estaremos no caminho certo se nossos filhos pensarem: "Vou perguntar a mamãe e papai que eles sempre me respondem". Se por acaso não puderem responder no momento, esclareçam qual é a dúvida e digam que responderão assim que puderem. Não finjam que "esqueceram" de responder. Se sentirem vergonha, digam. Pais humanos permitem uma maior identificação e autoconfiança.

    O abuso sexual é um assunto que geralmente gera desconforto, mas é fundamental que seja abordado nos dias de hoje, em que vemos os mais assustadores casos de perversão. O abuso geralmente é cometido por adulto pervertido ou criança mais velha que tenha sido abusada sexualmente. Para proteger nossos filhos, é preciso transmitir a eles a noção de que sexo não é feito entre criança e adulto ou criança mais velha, mas entre adulto e adulto, e que o amor melhora tudo porque torna mais completo. Segundo pesquisas, há alguns sinais mais claros de que houve abuso sexual com uma criança, que são a hiperexcitação, os pedidos à mãe para que brinque com seu órgão genital ou ao irmão ou coleguinha que coloque a boca em seu pênis / vagina , apatia generalizada, somados a sinais de medo. No caso de perceber que a criança apresenta medo, é preciso garantir-lhe proteção e não castigo. É preciso incluir sempre o amor ao passar estas informações às crianças. Às vezes ficamos tímidos em demonstrar intimidade em casa, diante de nossos filhos, e acabamos sem perceber por desvincular a noção de amor da de sexo, o que, em tempos de revistas, programas e outros apelos sexuais cada vez mais em evidência e à mão, acaba por contribuir para a banalização do sexo. Aos poucos, vai se tornando possível esclarecer que pode haver vida sexual sem gerar filhos.

    Dormir na cama dos pais é absolutamente contra-indicado; é necessário firmeza neste sentido. A cama dos pais pode ser o lugar perfeito para gostosas brincadeiras antes de dormir, ou ainda quando a família acorda pela manhã, mas não é recomendável que o filho tome o lugar de um dos pais ausente à cama, pois erotiza a criança de forma inadequada: elas fazem fantasias que não são benéficas ao desenvolvimento emocional. É preciso também dar a noção de privacidade aos filhos. Se a criança alegar medo, é preferível que um dos pais vá até a cama dela e a tranqüilize, voltando à sua cama em seguida.

    Sobre a nudez dos pais na frente da criança, o importante é buscar proceder da maneira mais espontânea possível, permitindo à criança a percepção das diferenças entre os sexos. É preciso usar o bom senso e a honestidade. A curiosidade diminuirá com o tempo, a partir dos seis ou sete anos a criança começará a ter pudor. O fundamental é ficar claro que a naturalidade permite uma visão saudável da sexualidade.

    O desenvolvimento da sexualidade humana começa com o contato físico, quando os bebês são segurados e acariciados. Os órgãos do sentido tem íntima relação com o centro sexual do cérebro e por isto a sucção ou o contato da pele provocam excitação nas crianças. Isto é necessário e natural que aconteça; não se deve privar o bebê de contatos corporais, o que não prejudicará nem tampouco estimulará inadequadamente a criança. A auto-exploração ou masturbação é outra experiência fundamental para a sexualidade saudável. A criança cedo aprende a brincar e a tirar prazer de seu próprio corpo, e isto faz parte de seu desenvolvimento tanto quanto engatinhar, andar ou falar. A experiência da auto-exploração só trará prejuízos se for punida ou se a criança sentir-se culpada por esta atividade natural. Cabe aos pais ignorar ou manifestar compreender o prazer que ela tira daquela experiência. Esta é apenas mais uma fase, e como tal tende a dar lugar a outras. Se a criança fizer isto na sua frente ou na de outras pessoas e você ache inadequado, diga que entende ser gostoso, mas que aquele não é o local certo, ensinando-lhe a noção de privacidade. É preciso ficar atento se a criança se masturba em público ou excessivamente. Ela pode estar se utilizando deste recurso para chamar a atenção dos pais para algum problema, que pode não ter nenhuma conotação sexual. Caso não consigam compreender sozinhos, peçam a ajuda de um profissional.

    Aquela antiga história de separar meninos e meninas em grupos diferentes no que se refere à sexualidade, estereotipando os papéis, também traz sérias implicações. Como se não bastasse o fato de negar o igual direito ao prazer no futuro sexual, é preciso saber que meninas passivas, educadas para a submissão, se tornam presas fáceis de abusadores sexuais; por sua vez, os meninos precisam ter espaço para demonstrar suas emoções, o que os prepara para ser pais afetivos.

    Os jogos sexuais infantis têm para a criança um sentido diferente daquele dado pelo adulto, e jamais deve acontecer com crianças de idades diferentes, para que não haja coerção.

    O aprendizado de palavrões é um fato comum entre as crianças a partir de quatro ou cinco anos. Em geral, repetem o que percebem ser proibido, embora não tenham a mínima idéia de seu significado. Em geral, esclarecer seu significado ajuda a criança a deixá-lo de lado e, mais uma vez, a aproxima de seus pais com quem poderão sempre contar para esclarecer suas dúvidas. Ensinar a criança que não é preciso imitar comportamentos inadequados desde pequena é extremamente importante, até para que futuramente ela não se sinta tentada, por coerção de grupos, a mostrar comportamentos que não sejam de sua livre e espontânea vontade, como fazer uso de cigarros, drogas e outros.

    Os meios de comunicação, que nos bombardeiam com programas de baixa qualidade, músicas erotizantes e danças de igual quilate, são hoje um grande impasse na educação de nossos filhos. Como evitar que a criança seja vítima desta superexposição inadequada do sexo e que assim se sexualize precocemente? O mais importante, atualmente, é que os pais tenham claro o tipo de orientação que desejam para seus filhos, e que lhes ofereçam outras opções de entretenimento. Buscar programas interessantes que estejam de acordo com a sua faixa etária, comprar discos infantis e roupas que estejam de acordo com sua idade são medidas que, se não evitam de todo, uma vez que a criança vive entre outras, ajudam a formar uma educação sexual mais adequada, garantindo-lhes no mínimo maior proteção. É preciso ainda que os pais fiquem atentos às mensagens contraditórias: estimular excessivamente as crianças no sentido do amadurecimento precoce, "queimando etapas", pode ser perigoso, pois elas podem perder o interesse por brincadeiras infantis, passando a imitar comportamentos adequados a "mocinhas e rapazinhos", o que inclui invariavelmente seus aspectos sexuais.

    Ao final desta exposição, talvez vocês percebam que poderiam ter feito melhor pela educação sexual de seus filhos, ou evitado algumas bobagens. Não devemos nos culpar por isto. Não nascemos sabendo e somos frutos da educação que tivemos. Assim como nossos pais, certamente fazemos o melhor que somos capazes, e será muito bom que possamos ter a oportunidade de repensar algumas situações e atitudes.

    Fernanda Roche
    Psicóloga clínica
    CRP 05/17857

    Bibliografia:
    Heglen, Sten. Pedro e Carolina - Imago editora
    Suplicy, Marta. Papai, mamãe e eu -FTD
    Maldonado, Maria Teresa. Comunicação entre pais e filhos - Vozes editora.
    Pikunas, J. Desenvolvimento humano - Mc Graw Hill
    Winnicott, D.W. A criança e seu mundo - Zahar editores

    segunda-feira, 14 de março de 2011

    Projetos e Projetos

    Atualmente, estou desenvolvendo dois tipos de projetos: um para trabalhar com saúde materno infantil e o outro, para trabalhar com crianças e adolescentes em escolas.
    Gostaria de fazer um novo artigo mostrando o que a terapia ocupacional tem de bom e pode ajudar em cada um desses casos.