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quinta-feira, 9 de julho de 2009

Matéria Interessantíssima- A HORA DO LEITE!

Amamentar é preciso!
Mulher que amamenta por mais tempo tem menos risco de enfarte.

Beijos
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090310/not_imp336152,0.php

Deslizes para escrever e ler pode ser dislexia

Na hora de fazer as lições de casa ou de aula, você confunde o “p” com o “b”? Ou troca o “d” pelo “t”? Às vezes, muda as letras no momento de um ditado? Se alguns desses deslizes ocorrem, não se preocupe. Isso pode ser dislexia. A pessoa que tem essa dificuldade recebe o nome de disléxica. Mas não é por isso que a vida não será levada normalmente. A dificuldade para ler ou escrever não implica que as outras habilidades não possam ser desenvolvidas. Pelo contrário. Existem grandes atores, cientistas, esportistas e escritores que possuíam a dificuldade. Tom Cruise é disléxico e tornou-se um dos atores mais famosos do mundo. Leonardo da Vinci, que pintou a Monalisa, também era e não deixou de ser um dos grandes gênios da humanidade. O inventor da lâmpada elétrica, Thomas Alva Edison, era disléxico e é considerado um dos maiores criadores de todos os tempos. No esporte, ninguém menos que o astro americano Magic Johnson possui essa dificuldade de leitura e escrita. Nem por isso deixou de ganhar vários títulos, entre eles a Olimpíada de Barcelona, em que fazia parte do Dream Team (Time dos Sonhos) de basquete. Albert Einstein, um dos mais famosos cientistas, apresentava a dislexia. Portanto, não se desespere. É uma dificuldade perfeitamente tratável. Quem confunde as letras na hora da leitura, pode enxergar a palavra invertida ou escrever uma letra ao contrário. Por exemplo, a palavra casaco pode virar “sacaco”. Com um pouco de ajuda e bastante exercício, a dificuldade pode diminuir ao longo do tempo. Uma dica é sempre recorrer ao dicionário quando se tem alguma dúvida de como escrever tal palavra. As ajudas dos pais, professores e coleguinhas de classe também são válidas. Não se esqueça: o disléxico apenas tem um jeito de aprender diferente das outras pessoas. Livro O livro Tenho Dislexia!, de Jennifer Moore-Mallinos, explica o que são esses desvios na hora de ler e escrever. É a história da menina Sara, que conta com a ajuda de alguns profissionais e, com bastante treino, conseguiu diminuir a dificuldade na escrita. Além disso, traz algumas atividades na parte final do livro como jogo de memória e dicionário de imagens. Vale lembrar que nem toda dificuldade de leitura e escrita pode ser considerada dislexia. “É um conjunto de fatores, como a mistura ou a falta de algumas letras. As maiores dificuldades são na escrita e na fala”, diz Elvira Cristina Martins Tassoni, pedagoga e professora da PUC-Campinas. E para tratar, é preciso um auxílio de uma equipe de profissionais. Por isso, não fique com vergonha de perguntar como se escreve ou fala alguma palavra. “Eles estão ao seu lado para ajudá-lo”, explica a psicóloga Carmen Sílvia Cerri Ventura. PONTO DE VISTA Nice Bulhões repórter da Rede Anhanguera de Comunicação (RAC) ‘Meu apelido era Cebolinha’ Quando criança, o meu apelido era Cebolinha. Ninguém diagnosticou a dislexia, mas achavam que eu era preguiçosa: falava errado e trocava letras. Mas, nunca tive problema quanto a isso. Lia muito. E isso me ajudou bastante. Hoje, sou jornalista. Continuo a trocar letras quando escrevo e falo. Mas os meus erros diminuíram muito. Por isso, o legal é ler muito. Para quem não gosta, é só procurar por um assunto que interessa. E você vai descobrir que a leitura torna-se um hábito gostoso e prazeroso. E isso vale para quem não tem dislexia. Ler é um ótimo remédio.

Sono das Crianças

Mais um texto bem legal sobre crianças.

O sono normal da criança

Algumas preocupações dos pais em relação ao sono de seus filhos podem advir do desconhecimento do que é normal em cada faixa etária. Assim, a queixa de insônia pode não corresponder a um diagnóstico.
Os ritmos circadianos já estão estabelecidos desde o período perinatal4.
O neonato dorme mais tempo do que as crianças maiores, com períodos fragmentados de sono distribuídos ao longo do dia, que vão gradualmente se consolidando num período único, à noite.
O recém-nascido e o lactente dormem 16 a 18 horas por dia, 50% em estágio REM (movimentos oculares rápidos). Eles alternam sono e vigília a cada três a quatro horas, uniformemente distribuídas entre o dia e a noite.
Em torno de 6 meses, o lactente dorme até 6 horas ininterruptas, à noite, sendo comum dois longos períodos de sono, intercalados por um breve despertar.
Ao redor de 6 meses, o sono já é estadiado, como no adulto, em sono quieto ou NREM (não REM), com quatro estágios, seguido do sono REM.. Os estágios um e dois do sono NREM são superficiais e o três e o quatro são profundos.
Ao final do primeiro ano, o lactente dorme ao redor de 12 horas, mas o sono já se restringe a dois momentos: uma sesta à tarde e um longo período de sono à noite.
Ao longo dos anos do período pré-escolar, ocorre uma diminuição progressiva das horas de sono de 15 para 12 horas. A sesta é abolida até os cinco anos. No escolar, o período de sono dura em torno de 8 a 10 horas28,29.
A arquitetura do sono vai se estruturando e amadurecendo com o passar dos meses e anos. A boa qualidade do sono depende da integridade estrutural e funcional das estruturas neurais, do estado global de saúde da criança e da capacidade desta e dos pais em disciplinar satisfatoriamente o processo de adormecer30.
O comportamento da criança em relação ao sono deve ser entendido no contexto do desenvolvimento e de suas etapas, ao longo das quais o bebê vai amadurecendo. Este processo é determinado por mudanças nos padrões neuropsicológicos da criança e modelado por práticas interpessoais, sociais e culturais da família31.
Despertar noturno
A maioria das crianças acorda durante a noite; aquelas que não conseguem se acalmar e adormecer por si só são as que têm o distúrbio.
No primeiro mês de vida, os despertares noturnos podem ser devido à inversão dia-noite e a necessidade de alimentar-se, e o lactente tem seus maiores períodos de sono durante o dia, permanecendo acordado à noite. É freqüente que se encontre depressão materna ou dificuldade dos pais em lidarem com os cuidados ao neonato7.
As associações do sono provocam dificuldades nos despertares noturnos da mesma forma que para adormecer, pois todas as etapas exigidas pela criança para adormecer têm que ser novamente repetidas a cada despertar. O lactente não consegue se acalmar por conta própria, e fica inquieto e choroso até que tenha suas demandas satisfeitas. Os pré-escolares se levantam da cama, vão para o quarto dos pais e protestam quanto a voltarem para dormir. Os escolares e os adolescentes insistem em assistir televisão e ouvir rádio à noite; a presença de televisão e rádio no quarto é reforço positivo para este comportamento.
A alimentação noturna, já não mais necessária na maioria das crianças a partir de 6 meses, caso seja mantida, faz com que a criança acorde para mamar e, posteriormente, isto pode ainda gerar um comportamento de associação do sono.
O refluxo gastroesofageano costuma acordar os lactentes por dor, usualmente após a terceira hora de sono, e a dor é aliviada quando a criança é retirada do berço. Existe uma relação entre apnéia do sono e refluxo gastroesofageano38-40, e a coexistência destes dois eventos durante o sono poderia estar contribuindo para os despertares noturnos.
Os despertares noturnos ligados ao desenvolvimento ocorrem em crianças com mais de 8 meses e são conseqüência do seu amadurecimento, devido à instalação da ansiedade de separação. Isto se torna persistente e disruptivo quando a criança não aprende a lidar por si só, acalmando-se a cada despertar normal, necessitando da intervenção permanente dos pais à noite31.
Nesta ocasião, surge também uma nova demanda, que é por autonomia, podendo coincidir com o início da recusa alimentar. Problemas previamente resolvidos com a alimentação e o sono ressurgem e devem ser entendidos como resultado de progresso no desenvolvimento em direção à autonomia, e não regressão.
Os pesadelos são parassonias extremamente comuns que ocorrem durante o sono REM, nas primeiras horas da madrugada. A criança freqüentemente conta suas recordações do sonho de forma amedrontada. O sonho muitas vezes reflete estresses diurnos. São mais freqüentes entre pré-escolares7, sendo também comuns nos escolares e mais esporádicos nos adolescentes41. Nos casos em que a criança sofre de pesadelos severos e freqüentes, deve-se suspeitar de transtorno do estresse pós-traumático.
Os distúrbios do despertar já são parassonias mais raras. Exemplos clássicos são o terror noturno, que ocorre em 3% das crianças, e o sonambulismo, que acontece pelo menos uma vez em 15% das crianças7. Constituem despertares desordenados nas fases profundasdo sono, ocorrendo, assim, no início da noite. Ambos podem fazer a criança realmente acordar. Fadiga, estresse, bexiga cheia e barulhos podem desencadear estes episódios.A apnéia obstrutiva do sono ocorre em 0,7 a 11% das crianças7. Sua marca registrada é o ronco, mas nem todas as crianças que roncam terão este diagnóstico. A causa mais comum de apnéia obstrutiva do sono é a hipertrofia de amígdalas e adenóides, mas também é encontrado com freqüência em crianças com síndrome de Down42, acondroplasia43 e mielomeningocele44, obesidade, mucopolissacaridose, anomalias craniofaciais e distúrbios neuromusculares7.Os distúrbios do humor (depressão) podem causar insônia em adolescentes, embora sejam mais comuns em adultos. Além dos despertares noturnos, causam também dificuldade em adormecer. Os distúrbios do sono são sempre proporcionais em gravidade ao grau de depressão32.

Transtornos Alimentares e Obesidade

Um artigo muito interessante. Boa leitura. Quem souber de alguém que se inclua nestes perfis, favor repassar, pois é uma questão de saúde pública. Bjos.

Os Transtornos Alimentares e a Obesidade numa Perspectiva
Contemporânea: Psicanálise e Interdisciplinaridade

The Alimentary Disturbance and the Obesity in a Contemporary
Perspective: Psychoanalysis and Interdisciplinary Discussion

Maria Isabel Perez Mattos1

Resumo: Este trabalho é uma elaboração introdutória sobre temas
importantes para a compreensão e tratamento dos Transtornos
Alimentares e da Obesidade. Desenvolve-se ao longo desse artigo
considerações sobre diagnóstico, epidemiologia, etiologia, compreensão
psicodinâmica psicanalítica, tratamento psicoterápico individual, familiar
e grupal, interdisciplinaridade e, por fim, aborda-se a presença de
aspectos sócio-culturais na sua etiopatogenia.

Abstract: This work is an introduction to important subjects for the
understanding and treatment of the Alimentary Disturbance and the
Obesity. It’s developed on this article considerations about diagnosis,
epidemic levels, etiology, psychoanalytic understanding, individual
psychotherapy, family psychotherapy and group psychotherapy,
interdisciplinary discussion and, finaly, approaches the presence of
sociocultural aspects in its etiopathogeny .

Palavras chave: Equipe Interdisciplinar, Configurações Vinculares.

Keywords: Interdisciplinary, Tie Configurations.

1 Psicóloga, Psicanalista, Membro Associado da SBP de PA, Filiada a Associação
Psicanalítica Internacional, Mestre em Psicologia do Desenvolvimento pela
UFRGS, Especialista em Infância e Adolescência, Docente, Supervisora e
Coordenadora do Serviço de atendimento a Transtornos Alimentares e
Obesidade do CIPT.

Os Transtornos Alimentares e a Obesidade são patologias
contemporâneas que nos últimos 20 anos sofreram um importante
aumento de incidência. Esses distúrbios são manifestações clínicas de
Transtornos Narcísicos e de etiologia complexa na qual confluem a
perspectiva psicossomática, os componentes aditivos e alta
porcentagem de correlação com a depressão e Transtornos da Imagem
Corporal.
O conhecimento acerca dos Transtornos Alimentares e da
Obesidade tem evoluído significativamente, e algumas publicações
recentes têm trazido perspectivas interessantes para sua compreensão e
intervenção. Bem assim, psicoterapeutas, psicanalistas, pesquisadores,
médicos, nutricionistas e antropólogos contribuem com viézes distintos,
mas muitas vezes complementares.
Considerações acerca do diagnóstico e epidemiologia dos
Transtornos Alimentares
Os Transtornos Alimentares podem se manifestar de diversas
formas, intensidades e gravidades, mas sempre relacionados à perda ou
ganho de peso corporal e a dificuldades emocionais. Os sintomas variam
desde uma preocupação excessiva com o peso e a forma corpórea - que
leva as pessoas a se engajarem em dietas extremamente restritivas ou
utilizarem métodos inapropriados para alcançarem o corpo idealizado -
até situações de ingesta exagerada de alimentos que não visam apenas
saciar a fome, mas atendem a uma série de estados emocionais ou
situações estressantes.
Nos manuais de classificação diagnóstica internacional, DSM IV
(Associação Psiquiátrica Americana, 1995) e CID 10 (Classificação
Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde)
encontram-se descrições nosológicas semelhantes para os casos de
Transtornos Alimentares (TA). O DSM IV descreve as seguintes
patologias:
Anorexia Nervosa – AN
Tipo restritivo: não se envolve regularmente em comportamento de
comer compulsivo ou purgar (indução de vômito ou uso indevido de
laxantes, diuréticos e enemas).
Tipo purgativo/ compulsivo: envolve-se regularmente em
comportamento de comer compulsivamente ou purgação.
Bulimia Nervosa – BN
Tipo purgativo: envolve-se regularmente na auto-indução de vômitos ou
no uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas.
Tipo sem purgação: usa outros comportamentos inadequados (jejuns,
exercícios excessivos), mas não se envolve regularmente na autoindução
de vômitos ou uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas.
Transtornos Alimentares Não Específicos -TANE
Quadros parciais ou atípicos de AN e BN
Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica - TCAP (em
apêndice para estudos adicionais): área limite entre os transtornos
alimentares e a obesidade.
Outros: perda de apetite, hiperfagia ou vômitos de origem psicogênica,
ruminação e pica.
Na Anorexia Nervosa as características clínicas principais são:
medo doentio de engordar, distorção da imagem corporal, manutenção
de baixo peso corporal, comportamento voltado para perda de peso
(restrição alimentar, exercícios, vômitos, uso de laxantes e de drogas),
distúrbio endócrino (amenorréia em mulheres e perda de libido em
homens). Esses pacientes realizam dietas extremamente restritivas e
apresentam grave insatisfação com o corpo, rituais alimentares
obsessivos, hiperatividade, evitação de refeições e interesse por dietas.
Medem-se e se pesam com freqüência, usam disfarces para métodos
purgativos utilizados. No caso de agravamento do quadro desenvolvem
sintomas físicos de estado de inanição, como alterações endócrinas e
metabólicas, intolerância ao frio, bradicardia e arritmias, hipotensão,
mudanças no volume cerebral, estufamento gástrico, constipação,
distúrbios do sono e libido, perda de cabelos e lanugem, redução da
memória e concentração. As alterações do humor mais freqüentes são:
apatia, labilidade, irritabilidade e depressão. Os pensamentos são
esteriotipados e a ideação depressiva.
Segundo o DSM IV e o CID 10, na Anorexia Nervosa, há recusa
em manter o peso corporal igual ou maior ao mínimo normal adequado
à idade e altura (geralmente mantido abaixo de 85% do esperado: IMC
< ou = 17,5 kg/ m). A perda de peso em adolescentes pode inclusive
implicar em parada do desenvolvimento (crescimento).
Segundo dados do PROATA (Claudino, A. e Zanella, M., 2005),
80% das anoréxicas, depois de quatro anos tratadas por equipe
especializada deixam de apresentar sintomatologia alimentar
importante, mas 50% seguem padecendo de quadros depressivos,
fóbicos ou hipocondríacos.
A bulimia etimologicamente deriva do Grego: bous (boi) + limos
(fome), fome de boi e está descrita na literatura em terminologia
variada: boulimos, malacia, cynorexia, sitomania, hiperorexia, fames
bovina, fames canina, appetittus caninus. O quadro clínico da bulimia
nervosa se caracteriza por preocupação constante com o corpo e com a
comida, engajamento em dietas, episódios de compulsão alimentar e
uso de métodos purgativos que procuram esconder dos demais. O ciclo
bulimia/purgação gera sentimentos de vergonha, fracasso, culpa,
depressão, irritabilidade e angústia. Há prejuízo de atividades
ocupacionais e sociais e pode ocorrer busca de ajuda profissional por
iniciativa própria mais freqüentemente que na anorexia, em que o grau
de negação da doença costuma ser mais grave. A Bulimia produz sinais
e sintomas físicos, como o aumento de parótidas, perda de obturações e
esmalte dentário, o sinal de Russell (erosões e calos nas mãos),
flutuações freqüentes e rápidas de peso, edemas, Irregularidades
menstruais, dor e/ou sangramento da garganta, esôfago, estomago,
diarréia e constipação, queixas de fraqueza, câimbras e distúrbios
eletrolíticos. O paciente apresenta preocupação persistente com o comer
e um desejo irresistível por comida. Grandes quantidades de alimento
são consumidas em curtos períodos de tempo. Os comportamentos
compensatórios para prevenção de ganho de peso (vômitos, purgantes,
jejuns, exercícios físicos excessivos, anorexígenos, diuréticos e
hormônios tireoidianos) geram importantes conseqüências orgânicas. O
peso pode se encontrar no limiar abaixo do pré-mórbido, normal ou
sobrepeso. (DSM IV e CID 10)
Torna-se importante distinguir a Anorexia da Bulimia, pois ambas
podem confundir-se inicialmente. Na anorexia a perda de peso é mais
grave e precoce e o comportamento se apresenta mais introversivo do
que na bulimia. Há intensos traços obsessivos presentes e a negação da
doença, na anorexia, pode levar à morte nos casos mais graves (cerca
de 20%). Sexualmente, as anoréticas costumam ser inativas, intensos
traços obsessivos estão presentes e amenorréia. Na bulimia em geral o
peso é normal, o início mais tardio, o comportamento é extrovertido,
egodistônico, o paciente refere sentir fome, é sexualmente ativo,
impulsivo e a menstruação apresenta-se normal ou irregular.
No Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica - TCAP o
indivíduo alimenta-se exagerada e afoitamente (com grande rapidez),
com freqüência significativa (no mínimo duas vezes por semana,
conforme DSM IV) e ele mesmo angustia-se com esse comportamento.
Esse tipo de patologia, porém, distingue-se da bulimia por não incluir na
sua sintomatologia métodos compensatórios extremos (purgas, jejuns,
exercicíos em excesso).
Já nos casos de Transtornos Alimentares Não Específicos - TANE, a
freqüência dos episódios bulímicos pode ser inferior a duas vezes por
semana, também não há amenorréia e peso acima do limite inferior
para Anorexia. Portanto, não são preenchidos todos os critérios dos
outros TA e os sintomas apresentam-se com menor intensidade.
É importante mencionar, também, a Síndrome do Comer Noturno,
que implica em Hiperfagia Noturna, na qual em torno de 50% das
calorias são ingeridas após as 19 horas. Os pacientes costumam
apresentar anorexia matinal, insônia e preferência por carboidratos.
A Obesidade difere dos Transtornos Alimentares, não é
considerada uma patologia psiquiátrica per se, por estar intensamente
ligada a causas orgânicas. No entanto, encontra-se imbricada a fatores
emocionais, especialmente de ordem psicossomática. A Obesidade
costuma estar associada a transtornos do comer compulsivo
(diagnosticados conforme critérios do DSM IV) em 30% dos casos e a
outros transtornos psiquiátricos, como a depressão e a ansiedade, em
60% dos casos (Spitzer e col., 1992 IN: Mello Filho, 2000).
Há significativo prejuízo no funcionamento social e ocupacional do
obeso, excessivas preocupações com a forma corporal e peso, intenso
sofrimento psíquico e dificuldades de adaptação à dieta.
Também é importante discriminar a Obesidade do Sobrepeso.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, Sobrepeso equivale a
excesso de peso corpóreo, enquanto a Obesidade equivale ao excesso
de gordura no organismo e IMC > 30 kg. Existem também distintos
graus de Obesidade conforme a gravidade do quadro, até a denominada
obesidade mórbida. Rascovsky (1950) propõe que se considere dois
tipos de Obesidade, a primária e a secundária. Na primária há a
organização de intenso ego corporal, enquanto que a secundária é
reativa, uma tentativa de restauração ante situação depressiva básica
como forma de recuperação maníaca. A primeira implica em patologia
psicossomática, enquanto a segunda pode estar mais próxima de uma
estruturação neurótica.
Observa-se que obesos com TCAP associado iniciam dietas com
idade mais precoce, mais oscilações de peso (dieta/comer
descontrolado), maior consumo de calorias, bem como maior
preocupação com o comer, a forma e o peso. Tais pacientes também
apresentam maior prejuízo no funcionamento sócio-ocupacional do que
aqueles que não sofrem de sintomas compulsivos mais evidentes.
Quanto às características demográficas a Anorexia e a Bulimia são
absolutamente prevalentes no sexo feminino (95%), na faixa etária de
12 a 25 anos. Encontra-se presente em diferentes extratos sócioeconômicos,
com alguns indicadores de predominância nas classes
média e alta e em ocupações de risco: modelos, dançarinas, atrizes,
ginastas, maratonistas, jockeys, patinadoras e profissionais da área da
nutrição. Já o TCAP está presente na população mais velha (30-50 anos)
e em distribuição mais equilibrada: 3 mulheres: 2 homens.
A presença de TA em crianças e pré-adolescentes é perceptível na
clínica, mas ainda possui-se poucos dados estatísticos. Há indicadores
de incidência de 9.2 casos de AN por 100.000 habitantes/ano, entre
meninas na faixa etária de 10 a 14 anos. AN: 1 menino: 6 meninas.
Aumento de incidência da BN na faixa de 10 a 19 anos. Obesidade em
crianças de 7 a 10 anos: 15% e mais de 33% da população apresentam
excesso de peso (pesquisa realizada em São Paulo. In: Viuniski, 2005).
Discute-se se há puramente aumento da Incidência dos TA, a
níveis epidêmicos, ou se, além do aumento real, tem-se atualmente
maior visibilidade.
A etiologia e a dimensão psíquica dos Transtornos
Alimentares
Há consenso entre os autores de que a etiologia dos TA é
multifatorial, na qual atuam vulnerabilidades e fatores predisponentes:
genéticos, biológicos, temperamento, personalidade, família, estressores
(sociais, perdas, lutos), etapa do ciclo vital (adolescência), cultura e
dietas.
A abordagem psicodinâmica refere-se a uma compreensão do
psiquismo em seus processos dinâmicos. Está fundamentada nos
princípios da teoria psicanalítica. Visa compreender e elaborar conflitos
intrapsíquicos a serviço da reestruturação, reorganização e
desenvolvimento da personalidade. O sintoma consiste em uma
comunicação simbólica que oculta e ao mesmo tempo revela aspectos
inconscientes sobre um conflito subjacente.
O sintoma alimentar, objeto de discussão deste trabalho, possui a
característica de esteriotipia, caráter repetitivo e empobrecedor da
personalidade. O que está por traz desse sintoma complexo que pende
ora para uma recusa quase total do alimento, ora para uma ingestão
desmensurada? A psicoterapia cria um espaço potencial para a busca de
significados que permitam ao paciente sair da fixidez determinada pelos
sintomas.
Evidenciam-se paradoxos nos pacientes acometidos por
Transtornos Alimentares, na alternância entre uma grande voracidade
por relacionamentos em oposição à capacidade de isolamento e
abandono dos mesmos. Apresentam dificuldades em encontrar uma
distância suficientemente boa do outro. Os pacientes realizam viradas
violentas em suas vidas: oscilam rapidamente de relações
extremamente idealizadas à rupturas radicais. Reagem com hostilidade
a decepções, frustrações e ansiedade em decorrência do medo de
separação, mas também pelo medo da intrusão. Os pacientes
reproduzem nos relacionamentos afetivos a mesma relação que mantém
com os alimentos, caracterizada por afetos turbulentos.
Hilde Bruch (1986), psicanalista precursora da compreensão
psicodinâmica dos TA, apontou como problemática central da anorexia
as deficiências egóicas de personalidade, o Transtorno da Imagem
Corporal, de percepção ou interpretação dos estímulos corporais,
sentimentos de impotência e falta de autonomia.
Os campos de intersecção da compreensão dos TA, segundo
Zurerfeld (1996) implicam o modelo psicossomático, o modelo aditivo e
o Transtorno da Imagem Corporal. Acrescenta-se a esses campos a
compreensão das manifestações clínicas do narcisismo, das patologias
do vazio, das patologias de borda e da depressão.
Meltzer e Williams (1990 In: Mattos, 2002) colocam que a origem do
mais antigo senso de valor estético e de beleza encontra-se na
idealização do corpo da mãe pelo bebê. O amor do bebê pela mãe e a
introjeção do amor dela, expressa na idealização do corpo de seu bebê,
o leva a identificar-se desenvolvendo uma auto-idealização. Freud
(1914) nos fala de um momento inicial no desenvolvimento do bebê em
que predomina o auto-erotismo, a experimentação de sensações do
próprio corpo e, posteriormente a mãe como espelho inaugura o
narcisismo. Mais tarde na elaboração da vivência do Édipo, o amor e a
aceitação por parte do sexo oposto vêm configurar os sentimentos de
auto-estima. Acrescenta-se a isto uma busca por um ideal de ego
internalizado na interação com os pais e que acompanhará o indivíduo
por toda a vida, influenciando padrões ideais estéticos e a auto-imagem.
(Mattos, 2002).
Introduzindo uma perspectiva de desenvolvimento do narcisismo,
lança-se um olhar para a criança que não se vê como separada do meio
ambiente, da mãe, de quem a olha e de quem a cuida. Lacan (1936)
denominou isso de “estádio do espelho”: “A fase do espelho designa um
momento na história do indivíduo que se inicia aos seis meses de idade
e vai até os dezoito meses, na qual a criança forma uma representação
de sua imagem corporal por identificação com a imagem do outro. Esse
momento é concretizado de forma exemplar pela experiência que a
criança tem ao perceber sua própria imagem em um espelho,
experiência que é fundamental para o indivíduo e na qual Lacan
identifica a matriz a partir da qual se formará um primeiro esboço do
ego”. Aí está a identificação primária que caracteriza o narcisismo
primário, pré-Édipo e que formará uma imagem dada por outro. Édipo e
narcisismo se misturam no desenvolvimento da vida psíquica do ser. A
imagem do corpo é estruturante para a identidade do sujeito, que
através dela realiza a sua identificação primordial, estabelecendo a
representação do próprio corpo. Posteriormente, mesmo na vida adulta,
não bastam às reservas narcísicas, busca-se a fantasia de antiga
completude. O sujeito se olha ao espelho, ou espera o olhar de um
alguém, uma palavra, uma situação que evoque o especular materno.
Em casos de equilíbrio precário do narcisismo - em que o especular (a
mãe para Winnicott,1967) não foi capaz de devolver uma imagem
percebida em sua alteridade, integrada e acima de tudo amada e
desejada mesmo na sua incompletude temos uma existência aprisionada
a uma angústia que se revela na relação com a imagem do corpo,
vulnerável, assim, ao ingresso do sintoma alimentar. (In: Mattos, 2002).
Kaës (1997), considera que não podemos não estar no vínculo. É
de um vínculo, de uma união que procedemos, e é do desejo de mais de
um, de seus sonhos e de desejos irrealizados, que nos constituímos. O
que nos vincula é tanto um apego corporal, sexual, como também um
apego fantasmático, onírico. A imaturidade biológica ao nascer e o
desamparo originário que a acompanha, instaura na psiquê a marca
estrutural da falta e da dependência ao objeto. O que nos vincula está
sob o efeito da experiência de satisfação e apego. Nos vinculamos para
reencontrar ou inventar a experiência de prazer de intercâmbio onírico,
de apoio mútuo, do envoltório comum, dos ideais compartilhados, para
renovar o prazer do intercâmbio das fantasias e das idéias, dos
pensamentos. Nos vinculamos para não nos separarmos. O vínculo é
uma defesa contra a separação, manter a ilusão da unidade, da
completude narcísica entre o Ego e o objeto, zona complementária.
Vinculamo-nos para assegurar nossos sistemas de defesa num nível
meta-individual: é por isso que as alianças inconscientes são inevitáveis
para que nos vinculemos uns com os outros. Elas asseguram
conjuntamente a repressão, a renegação ou o rechaço exigidos para
manter os sujeitos no vínculo e para manter o próprio vínculo.
No vínculo mãe e filha, que padece de transtorno alimentar do tipo
anorético, encontramos uma intrusão sedutora, um “olho indecente” da
parte da mãe, que expressa a ausência de limites entre ela e a filha.
Trata-se de uma relação de caráter narcisista/indiferenciado.
Certa vez, uma mãe, em análise vincular (da dupla mãe-filha),
descrevia-me com detalhes o corpo da filha anorética nomeando suas
partes, referia suas “coxas, bunda, braços”, suas observações sobre
quando os achava mais gordos e agora mais magros geravam uma
incomoda sensação transferencial. Percebi, assim, um excesso de
presença materna, que gerou a impossibilidade da filha construir uma
representação psíquica própria. O corpo erógeno, a sexualidade, a
intimidade não é propriedade privada da filha, é algo compartilhado com
a mãe. Tratava-se de um equívoco da mãe: tentativa de dominar uma
fragilidade narcísica através do domínio do corpo e das sensações.
O sintoma constrói uma espécie de neo-identidade (Mac Dougall
In: Brusset, 2003), através da qual, a paciente vive seu virtuoso triunfo.
A alimentação torna-se, ilusoriamente, a única variável controlável de
suas vidas. Opção radical por arriscar a vida na tentativa de expressão
do próprio desejo – não quer viver às custas do desejo do outro.
Via de regra, a Bulimia inicialmente é aceita, até mesmo escolhida
e procurada, todavia, essa conduta quando passa a ser repetida, se
torna fonte de angústia e causa de alienação. Na clínica, a bulimia
aparece como a busca por um gozo impossível, um tormento, um
sofrimento, uma doença. O paciente sofre de uma adição ao comer (Mac
Dougall In: Brusset, 2003). A pessoa torna-se incapaz de fornecer a si
mesmo alívio as próprias angústias, de poder conter seus afetos. Se
supusermos que o primeiro objeto - a mãe – nunca foi reconhecido
como separado de si. Ela não passa a existir enquanto um objeto
interno, capaz de representar uma função materna adequada. A relação
com a mãe é manchada por desilusões precoces, traumáticas por
demais para serem absorvidas pelo inscipiente psiquismo da criança.
Pode se dar precocemente com um desmame brutal - onde o objeto
bom é perdido logo após ser encontrado ou ser resultado de diversas
situações, como o nascimento de um irmão, depressão materna (A
“mãe-morta” de Green, 1988) afastamento da mãe em etapas
maturacionais. A ambivalência costuma originar-se em dificuldades da
própria mãe podendo ser de ordem depressiva, com sua própria imagem
ou com sua feminilidade. Estas levam a mãe a alternar períodos de
sobreinvestimento ansioso e retraimento. Este movimento pode ser
observado nas pacientes mais tarde nas oscilações de humor e nas
crises bulímicas. Esta falta de sustentação prejudica o estabelecimento
de um sentido de si mesmo, ocasionando um vazio interno e um
sentimento de não existência. A criança continua dependente de seus
objetos externos, em um apego constrangedor e uma proximidade
alienante. Desta forma o eu não se estabelece de forma coesa e os
recursos internos para lidar com os afetos não se desenvolvem. Na
bulimia observa-se um problema de identidade com uma automutilação
dirigida aos aspectos estéticos do esquema corporal.
A doença surge como uma tentativa de recuperação do sentimento
de continuidade de si mesmo. Uma busca por partes do eu obriga o
sujeito a realizar atos que o despojam de si mesmo. Na puberdade a
tarefa de se independizar, conquistar a autonomia, e restabelecer os
laços afetivos constitui-se em um a posteriori traumático. Neste
momento o precário equilíbrio entre as aspirações em relação aos
objetos e o narcisimo, não mais pode ser mantido. Surge então a
bulimia para denunciar esse fracasso. O fracasso da elaboração mental
pela fragilidade no aparelho de “pensar os pensamentos” (Bion, 1957),
favorece a resposta pelo agir que oferece uma possibilidade de controle
sobre o objeto e inverte esta situação de passividade em papel ativo. A
crise bulímica se desenvolve de uma só vez, sem interrupção, o que
revela o caráter intolerável de qualquer descontinuidade que remeta a
paciente a si mesma e à sua solidão. Desta forma afasta a questão da
separação e da diferença – a “unidade” é reencontrada e a falta negada.
No entanto, a crise precede a desilusão pós-crise. Nesse momento, o
fracasso da função maturativa se manifesta com toda a sua força. A
paciente volta ao início, mas com os agravantes da aversão a si mesma
e da vergonha. Estes afetos, mais uma vez têm a função de mascarar a
ferida original do desamparo. O preenchimento frenético procura ocultar
a vivência da falta, do vazio, da dor psíquica, do transtorno de
identidade, indo até à dor física, ao sono ou ao restabelecimento do
vazio corporal pelo vômito.
O vômito representa mais uma recusa de internalização das
angústias originais. Após o vômito ela está pronta para preencher o
vazio assim criado. Caracterizando uma busca incessante de contato. A
incapacidade de pensar faz com que o ato tome o lugar da
rememoração. A busca pelo vazio corporal como substituto concreto do
vazio afetivo, por redução dos afetos à sensação, tem por efeito habitual
aumentá-lo. O fracasso da elaboração mental favorece a resposta pela
atuação, que oferece uma possibilidade de domínio sobre o objeto
necessário (ou seus substitutos) e reverte a situação de passividade em
papel ativo, recriando as condições de uma identidade reencontrada.
Uma paciente referiu:
“Percebi que não sou ninguém, penso que vou parar de fazer, mas não
consigo”.
“Fui direto pro crime. Era como se estivesse possuída, me senti como
um animal”.
“Comi como uma louca ontem à noite. Foi-se, de uma vez só, um pote
de sorvete que deveria durar uma semana. Tem que ser assim, eu não
consigo comer só folhinhas de alface sem tempero” (indicando sua
ambivalência).
O Tratamento Psicoterápico dos Transtornos Alimentares
O tratamento se dá através de uma atitude empática que forneça
um holding adequado por parte do psicoterapeuta. O analista deve
manter-se atento ao ciclo na relação terapêutica: o paciente incorpora
vorazmente e exige cura mágica, depois vomita o terapeuta ficando
melancólico. Em períodos iniciais do acolhimento de pacientes com TA é
muito importante se avaliar os riscos da situação e, em alguns casos
usar intervenções mais diretivas (comportamentais) e fazer
encaminhamentos torna-se necessário, além da inclusão de membros da
família do paciente para em um segundo momento possibilitar a
construção de uma história do sintoma. A busca por um sentido para o
sintoma bulímico é um caminho lento. Assim como a ampliação da
capacidade de reconhecimento dos estados afetivos. O desenvolvimento
da capacidade de responder a momentos de angústia com soluções
menos atuadas e a eliminação do ciclo compulsão/purgação são
constantemente buscadas. O estabelecimento de um padrão alimentar
adequado se dá como resultado dos progressos psicoterapêuticos e por
vezes também pela adequada intervenção da nutricionista.
A bulímica sofre de baixa tolerância à frustração o que dificulta o
processo analítico, assim como a negação psicótico-perversa da doença
por parte da anorética. A desmedida alimentar é e não é reconhecida
pelos pacientes. O funcionamento psíquico dicotômico – tudo ou nada -
predomina, como também a presença de polaridades: incorpora e
vomita, cheio e vazio, dependência e independência do objeto.
A psicoterapia individual e familiar são os tratamentos eletivos
para casos de Anorexia. O atendimento em psicoterapia grupal não é
recomendável.
È importante visar a recuperação do peso em função dos riscos que esse
sintoma pode ocasionar. Como primeira fase do trabalho pode-se
destacar a escuta analítica, o estabelecimento do vínculo, a promoção
da consciência sobre a enfermidade e auxiliar a paciente a se colocar
como co-responsável por seu tratamento. A comunicação da paciente
nesta primeira fase é concreta e comportamental. O psicoterapeuta
deve ser cauteloso em não responder em linguagem simbólica muito
elaborada, mantendo uma postura ativa, mas não intrusiva. Em uma
segunda fase, deve auxiliar e acompanhar o paciente na elaboração
psíquica de conflitos referentes à expressão de desejos, sexualidade e
autonomia. Torna-se possível, assim, buscar alternativas às condutas
atuadas e patológicas.
Trabalha-se para favorecer a tradução de sensações corporais em
estados emocionais e a construção de uma representação interna
independente da imago materna. A interpretação dos afetos
transferenciais e contratransferências - impotência, hostilidade,
sensação de invasão - é importante quando acompanhada de atitude
continente. A tirania do ideal de magreza, de perfeição, de um corpo
sem falhas deve ser exaustivamente abordada.
O tratamento psicoterápico da Bulimia e do TCAP possibilita a
construção de uma história do sintoma que visa ampliar a capacidade de
reconhecimento dos estados afetivos e o desenvolvimento da
capacidade de responder a momentos de angustia com soluções menos
atuadas. Holding e interpretação por parte do psicoterapeuta andam
sempre juntos. A análise da transferência narcisista - paciente incorpora
vorazmente, exige cura mágica e depois vomita o analista e fica
melancólico - demanda atenção constante.
O tratamento familiar e os Transtornos Alimentares
William Gull e Charles Lasègue, ainda em 1875 (IN: Losinno,
2001), prescreviam como forma de tratamento a parentectomia, tendo
o entendimento de que a permanência em família comprometia o
resultado do tratamento. As famílias passaram a ser tratadas em
conjunto em casos de transtorno alimentar após 1950.
O modelo Estruturalista da década de 70 (Minuchin e col., 1995)
destaca-se como proposta de atendimento familiar nos casos de AN. O
sintoma alimentar foi considerado o reflexo de um sistema disfuncional
da família. A técnica propunha uma reorganização do sistema familiar.
As características observadas eram a indiscriminação das relações
familiares, fronteiras difusas intergeracionais e a tendência para evitar
conflitos. A equipe de Minuchin, Rosman e Baker (1978) promoveram
uma pesquisa no campo da terapia familiar em TA. Os resultados foram
os seguintes:
53 casos de AN com terapia estrutural de família,
Tratamento: hospitalização seguida de terapia familiar em base
ambulatorial,
43 grande melhora,
2 melhoras,
3 não houve alteração,
2 pioraram,
3 saíram do estudo,
80% foi o índice de melhora.
A contemporânea psicanálise das configurações vinculares
(Berenstein,1990), que compreende as questões familiares sob um
paradigma distinta da abordagem sistêmica tem dado uma contribuição
fundamental para a intervenção nas estruturas familiares dos pacientes
acometidos de Transtorno Alimentar. A psicanálise vincular trabalha com
a concepção de estrutura familiar inconsciente. Propõe a existência de
três espaços psíquicos: intra, inter e transubjetivo (fenômenos sócioculturais),
postulando um sistema de tripla inscrição e registro
simultâneo de um mesmo fenômeno. Inscrever-se-iam assim,
simultaneamente, um objeto interno, um vínculo e um lugar. Isso
implicaria uma ampliação metapsicológica, porquanto distinta do
sistema de múltiplas inscrições simultâneas do sistema de transcrição
descrito por Freud na carta 52 - as novas inscrições sempre se ligariam
às inscrições originárias (Krakov, 2001).
Berenstein (1990), afirma que o vínculo entre os egos é
inconsciente e de uma ordem que está na origem do sujeito humano. Na
relação objetal, a representação é uma construção que só é factível a
partir do vazio deixado pelo outro. É uma maneira de voltar a
representar mentalmente o que foi vivido, sem que o outro tenha tanto
a ver com tal construção. A ausência cria nova forma, suscitada
precisamente pela dor pela ausência do outro, enquanto a
representação do vínculo é uma modelização que se faz de tal cena. Nas
representações vinculares temos um psiquismo que se situa entre um
ego e outro, obrigando a pensar na indissolúvel ligação com outros, e a
abandonar a idéia de um aparelho exclusivamente singular, individual.
Este enfoque propõe a existência de um psiquismo constituído por
diferentes zonas-espaços-mundos a partir dos quais o sujeito se constrói
através de dois mecanismos básicos: a identificação e a atribuição. A
atribuição consta de dois movimentos: um ativo - em que o sujeito
atribui à sociedade em seu conjunto, ou a um grupo, à família ou ao
casal, determinadas características e valores – e um movimento
passivo, por meio do qual recebe as características que lhe são dadas.
Esses dois movimentos são conflitivos entre pertencer a uma estrutura e
a coexistente capacidade de escolher a maneira de ocupar um lugar na
estrutura. Em todo este processo, são determinantes os valores éticoideológicos.
Tem-se sujeitos da estrutura familiar e de casal, como
sujeitos da estrutura social.
A psicanálise vincular considera o vínculo uma construção conjunta
gerada por um intercâmbio efetivo entre os membros que o compõem,
constituindo um novo âmbito de produção de sentido. A noção de sujeito
do vínculo envolve ao mesmo tempo estar sujeitado pelo vínculo e
constituído por este. Difere do conceito de objeto, que em Freud o
objeto da pulsão é o mais variável, tem caráter contingente. Ao
contrário para a teorização vincular o outro é indispensável, já que o
sujeito e o outro se definem mutuamente (Krakov, 2001).
Existe concordância na literatura, especialmente nos casos de
Anorexia na adolescência, da relevância de se realizar intervenção
familiar a fim de propiciar melhor prognóstico, pois o fator familiar está
imbricado na formação do sintoma. Pode-se afirmar que a estrutura
familiar é predisponente, precipitante e mantenedora da doença.
Objetiva-se com essa intervenção a conscientização da dinâmica
presente, a elaboração da história familiar, mudanças nos padrões de
relacionamento e comunicação, a descristalização de papéis, a criação
de um espaço para expressão de idéias e sentimentos, o
desenvolvimento de um sistema familiar mais funcional, a busca de
novos significados e padrões vinculares mais evoluídos.
Psicoterapia Grupal de pacientes com Transtorno Alimentar
e Obesidade
Diferentes modalidades grupais são utilizadas em casos de
transtorno alimentar e obesidade: auto-ajuda e psicoterápicos (grupo
operativo reflexivo com base psicanalítica, psicodrama, cognitivo
comportamental, interdisciplinar-psicoeducacional ou temático).
O grupo de referencial psicanalítico supõe que em todo o grupo
coexistem forças que tendem à sua coesão e desintegração. Bion
(1970), descreve dois planos de funcionamento: o da intencionalidade
(grupo de trabalho) e outro de atuação de fatores inconscientes (grupo
de supostos básicos). Há em um grupo a presença permanente da
dualidade pulsional (erótica, agressiva ou narcisica) e de ansiedades e
mecanismos de defesa. A dinâmica estrutural grupal evidencia conflitos
entre id, ego e superego. O desempenho de papéis é esteriotipado
respondendo a cada configuração vincular específica. O grupo tem
ressonância em seus membros, o que pode torná-lo de grande eficácia
terapêutica.
Em caso de grupo psico-educacional as sessões são dirigidas,
focais e orientadas por temas pré-selecionados para cada sessão. Na
primeira fase: fornece informações sobre a sintomatologia e aspectos
associados ao Transtorno Alimentar. Na segunda fase: elege-se focos de
atenção do coordenador do grupo. Esta modalidade pode ser
interdisciplinar e tem como objetivo orientar, promover reflexão e
melhora do comportamento alimentar e ainda, preparar para um
processo de psicoterapia profunda (individual ou grupal).
Existem passos para a formação de um grupo: seleção realizada
através de entrevista individual levando-se em conta aspectos clínicos,
nutricionais e psicológicos. Estes dados são fundamentais não só como
avaliação dos pré-requisitos para ingresso no grupo, como também para
o seu correto encaminhamento e posterior avaliação dos resultados
(Bion, 1970; Rivière, 1988; Zimerman e Osório, 1997; Zimerman
2000).
Pesquisas demonstram que pacientes obesos tratados em grupo
perdem mais peso que os tratados individualmente (London e Schreider,
1966 IN: Barros, 1994). Isto se dá pela possibilidade de se trabalhar os
conflitos e fantasias que impedem o emagrecimento desejado dentro de
um campo em que atuam as forças internas grupais.
O grupo propicia o compartilhar de experiências comuns e auxilia
no processo de emagrecimento dos pacientes obesos através da
aquisição de atitudes internas que possibilitem mudanças nos hábitos e
condutas. Para tanto, busca-se a criação de um grupo que funcione
como um holding, dando suporte, e possibilitando um espaço de troca
de vivência e conscientização de conflitos e sentimentos que impedem o
emagrecimento e induzem à obesidade. Desta forma espera-se alcançar
também o desenvolvimento da capacidade para pensar os próprios
pensamentos.
Em caso de Anorexia não há indicação para atendimento em
grupo, pois a intensidade da competição gera acirramento do sintoma.
Operam forças destrutivas grupais intensas e a necessidade de uma
relação dual é premente. Trata-se de pacientes muito regredidas,
narcisistas.
Pacientes com Bulimia e TCAP têm potencial para atendimento em
grupo. O grupo possibilita o estabelecimento dos processos de
identificação, mas há riscos pela gravidade dos aspectos afetivos que
emergem (predominância do processo primário, ocorrência de abuso
sexual na infância, ou a presença de relações abusivas e conteúdos
invejosos) e que podem desintegrar o grupo.
A interdisciplinaridade e os Transtornos Alimentares
A multidiscipliaridade não exige que os profissionais arrolados num
tratamento tenham a mesma concepção teórica, filosófica a respeito do
paciente e da doença, é suficiente que cada um consiga desempenhar
bem a sua função. Eles requisitam a participação do outro, todavia cada
um faz a sua parte individualmente. Diferentemente da
interdisciplinaridade que exige que os profissionais estejam
interconectados pela mesma visão para alcançar maior eficácia
diagnóstica e terapêutica (Vasconcelos, 1997). Torna-se desejável em
uma equipe a busca constante pelo ideal da interdisciplinaridade.
O encontro entre diferentes áreas do conhecimento no
atendimento e compreensão dos transtornos alimentares é, sem dúvida,
promissor. Para que tal ampliação e interlocução entre os saberes se
realizem com o cuidado e a profundidade desejados, destaca-se a
importância da compreensão do contemporâneo referencial
epistemológico da complexidade. Para Morin (1996), a epistemologia
tradicional e positivista separa o objeto do seu meio, separa o físico do
biológico, separa o biológico do humano, separa as categorias, as
disciplinas, etc. Esta visão reduz o complexo ao simples e não permite
perceber a unidade na diversidade, nem a diversidade na unidade. A
característica da epistemologia contemporânea do conhecimento exige o
estudo da dimensão cognitiva e do ato subjetivo; portanto, o estudo do
ser que vai conhecer também está implicado nesta compreensão.
A equipe de atendimento aos Transtornos Alimentares costuma ser
formada por psicólogo ou psicanalista, psiquiatra, nutricionista, clínico
geral, terapeuta familiar, gastro-pediatra, endocrinologista,
acompanhante terapêutico, educador físico, terapeuta ocupacional e
enfermeiro (em caso de hospitalização). As equipes de atendimento
podem ter configurações diversas, em alguns acasos não é necessário
que todos os tipos de atendimento sejam oferecidos.
Encontram-se melhores resultados em pesquisas em caso de
atendimento interdisciplinar dos TA, que muitas vezes são difíceis e
considerados desafios terapêuticos. O atendimento em equipe oferece
vantagens e dificuldades. O holding ao ser oferecido por uma equipe
coesa opera como uma rede de sustentação para o paciente e os
múltiplos aspectos transferênciais e contratransferênciais são
distribuídos entre os membros que possuem condições de manter uma
escuta e atitude adequada quando os papéis podem ser bem
discriminados. Há demandas e recusas de tratamento, gerando
sentimentos de impotência e frustração. Um aspecto importante a ser
avaliado é o momento adequado para inserir um profissional ou uma
nova atividade no tratamento, isso deve ser cuidadosamente avaliado
caso a caso.
O mecanismo psicológico da dissociação costuma operar nos
pacientes com TA na sua relação com a equipe. No vínculo transferencial
com o psicólogo, médico e nutricionista são projetados aspectos da
personalidade do paciente e de suas modalidades vinculares (oriundas
de vivências familiares). A contratransferência pode em determinados
momentos “responder” as projeções do paciente, podendo gerar
atuações e indução à dissociação. A integração em reuniões de equipe,
são muito importantes para explicitar o tipo de transferência que o
paciente está realizando e a contratransferência despertada.
O manejo que costuma ser recomendado implica que cada
membro estimule o paciente a conversar com o profissional quando há
queixas - muitas vezes distorções em função da resistência ao
tratamento. Por exemplo, o paciente pode queixar-se da dieta para o
clínico ou psicólogo, a orientação deve ser para que converse com o
nutricionista. Noutra situação, o paciente queixa-se dizendo que não
precisa de terapia, nesse caso deve-se remetê-lo ao terapeuta, também
estimulando que o paciente discuta isto com o mesmo. Se o paciente
queixa-se para o psicólogo de que não precisa tomar a medicação
prescrita pelo psiquiatra, devemos então também ser firmes e coesos.
Pacientes com TA costumam apresentar forte resistência ao
tratamento porque a retirada do sintoma (bulimia, anorexia) pode
angustiá-los por ser essa a sua via de escape e a forma como eles
conseguiram estruturar-se psiquicamente. O índice de abandono do
tratamento e recaída é alto nos casos de TA. Trata-se de um desafio na
busca da solução do problema do paciente, buscando a valorização da
saúde, novas formas de se relacionar com o alimento, o aprendizado de
alternativas de expressão e a resolução de complexos problemas
psicológicos relacionados aos sintomas.
No caso da obesidade o tratamento é um processo lento que
requer uma intervenção interdisciplinar. Isto ocorre por ser uma doença
crônica com possibilidade de recidiva, demandando alterações no estilo
de vida que apenas poderão tornar-se duradouras se acompanhadas de
mudanças no pensar e sentir do paciente obeso. Segundo Barros (1995,
IN: Mello Filho, 2000) a abordagem interdisciplinar da obesidade é
considerada necessária devido à complexidade das alterações
encontradas, sendo utilizado o tratamento psicoterápico grupal e/ou
individual, e podendo ser necessário o uso de medicação.
Em relação aos papéis atribuídos aos membros da equipe, em
linhas gerais, pode-se considerar que cabe ao psiquiatra diagnosticar TA
e co-morbidades, avaliar riscos, estabelecer aliança terapêutica,
monitorar o estado mental e medicar sintomas; enquanto o psicólogo e
o psicanalista devem oferecer escuta para identificação de conflitos
inconscientes, desejos, sensações corporais, explicitar a dinâmica
subjacente aos sintomas, proporcionar elaboração simbólica,
desenvolver o pensar no lugar do atuar, relacionar o padrão alimentar
ao padrão vincular e oferecer holding. O terapeuta familiar proporciona
um espaço para identificar e elaborar o lugar de cada membro e o lugar
do TA na família, as expectativas, a estrutura familiar inconsciente e os
elementos transgeracionais presentes na história do sintoma. A
orientação nutricional busca traçar metas, desmistificar crenças erradas,
apontar desencadeantes do ciclo bulímico, apontar soluções alternativas,
fazer “negociações”. Diz-se do papel da nutricionista nestes casos que o
mais importante é o adequado manejo do sofrimento psíquico, das
recaídas e da rigidez superegóica dos pacientes. Ao clínico cabe solicitar
exames, acompanhar a evolução clínica e tratar doenças, como por
exemplo, a osteopenia e osteoporose (nos casos de anorexia). Há,
segundo o PROATA (Claudino, 2005), uma nova modalidade de
acompanhamento dos casos mais graves para evitar a internação. Um
profissional assistente social, arte-terapeuta ou estudante de psicologia
pode passar de 10 a 40 h por semana em contato informal com
paciente, objetivando controlar situações de risco, legitimar atitudes
positivas em relação a hábitos alimentares e outros aspectos da vida.
Isso também favorece a retomada da vida social. Há, por vezes, nesses
casos mais graves, em especial na anorexia, a necessidade de
internação hospitalar que pode ser em enfermaria clínica de Hospital
Geral, enfermaria psiquiátrica de Hospital Geral ou até mesmo em
Hospital-dia. No entanto, o atendimento ambulatorial é sempre o setting
de escolha ao se detectarem a condição do paciente de se coresponsabilizar,
a existência de suporte familiar, a ausência de comorbidades
que justifiquem internação e a possibilidade de atendimento
interdisciplinar.
Existem atualmente alguns instrumentos recomendados para a
avaliação de Transtornos Alimentares que costumam ser utilizados para
o diagnóstico psiquiátrico, por equipes interdisciplinares e, também por
psicólogos que se identifiquem com estes instrumentos que objetivam
complementar a avaliação, sistematizar informações e quantificar dados
para pesquisas. Os instrumentos investigam psicopatologias específicas,
Transtorno de Imagem Corporal, psicopatologia geral (BDI, HAM-D/A,
BIS), co-morbidades (SCID-I/P, CIDI, MINI-PLUS) e qualidade de vida.
Há diferentes categorias de instrumentos e métodos para avaliar
TA: Entrevistas clínicas (estruturadas ou semi-estruturadas): EDE,
SCID-I/P. MINI – PLUS, CIDI. Entrevista psicanalítica embasada em
conhecimentos específicos sobre TA. Questionários auto-aplicáveis:
EDE-Q, EAT, BITE, BES, QEWP-R, BSQ, EDI, BULIT, BDS. De automonitoração:
diários alimentares.
A escolha do método e a opção por utilizar ou não determinado
instrumento, depende da identidade e da formação dos profissionais, da
equipe e da necessidade do paciente.
A Terapia Cognitiva Comportamental - TCC (Nunes, 1999) é uma
intervenção bastante estudada atualmente em transtornos alimentares,
provavelmente por ser embasada em manuais bastante estruturados, o
que torna sua reprodução, aplicação e aferição mais fácil que outras
técnicas. É uma intervenção: breve, semi-estruturada, centrada no
presente e no futuro, orientada para metas, que visa identificar e
modificar pensamentos e comportamentos disfuncionais que favorecem
a manutenção dos transtornos (TA). O modelo cognitivo enfatiza
especialmente a influência negativa dos pensamentos distorcidos e
das avaliações cognitivas irrealistas dos fatos sobre os sentimentos
e comportamentos. Os elementos da TCC para TA são: o automonitoramento
(através de diários alimentares), a educação sobre o
modelo cognitivo de manutenção do TA, a necessidade de mudanças
comportamentais e cognitivas, a prescrição de um padrão regular de
alimentação, o estabelecimento de um padrão regular de pesagem e o
desenvolvimento de estratégias de auto-controle. São utilizadas técnicas
de resolução de problemas, reestruturação cognitiva para modificar
conceitos sobre alimentação, peso e forma corporal, métodos de
exposição gradativa para aceitação do peso e forma corporal e
treinamento de prevenção de recaídas. Em algumas equipes coexistem
profissionais que trabalham com orientação cognitivo-comportamental e
psicoterapeutas de orientação psicodinâmica, no entanto, sendo
profissionais orientados por paradigmas diferentes, há que se ter muito
cuidado na eleição da abordagem indicada e no processo de integração
terapêutica. Por vezes, os nutricionistas utilizam essas estratégias
cognitivas para o manejo de pacientes com transtorno alimentar, o que
pode ser interessante para os objetivos nutricionais, especialmente nos
casos de pacientes mais graves.
A Anorexia e a Bulimia são produto dos padrões estéticos
das três últimas décadas?
Os aspectos socioculturais dos transtornos alimentares têm
sido amplamente estudados e já foram objeto de inúmeros
trabalhos médicos, antropológicos, sociológicos e históricos. E, inclusive,
têm sido considerados como fator etiológico dos Transtornos
Alimentares.
Vivemos em uma época em que o corpo está em moda. Diz-se
hoje que os ideais estéticos em moda projetados pela mídia substituem
os antigos ícones religiosos (In: Mattos, 2002). O valor cultural da
magreza como sinal de auto-controle e sucesso e a ilusão de corpo
infinitamente maleável criam ambientes favorecedores para os
transtornos alimentares. Elementos como a globalização tem precipitado
esta doença além das fronteiras ocidentais. A sensação de controle,
potência, autonomia e sucesso geram reforço social valioso devido à
baixa auto-estima de populações vulneráveis.
Esta compreensão veio a ser corroborada por vários estudos
epidemiológicos demonstrando um aumento na incidência destes
transtornos concomitante à evolução do padrão de beleza feminino em
direção a um corpo cada vez mais magro. (Hsu, 1996)
No entanto, a primeira descrição médica da Anorexia data do final
do séc. XVII, por Richard Morton que descreveu os sintomas de uma
adolescente de 18 anos e de um jovem de 16 anos. O padecimento era
causado por tristezas e preocupações ansiosas. Desde esta descrição
seguem outras contribuições inclusive por parte de Charcot.
Curiosamente, encontram-se também, relatos históricos e biográficos
como o de Santa Rosa de Lima, no período em que vigoravam ideais
religiosos que evidenciavam a prática do jejum como favorecedora da
anorexia, esta também vinculada a situações familiares bastante graves.
(Losinno, 2001).
Observa-se, ainda, outro fenômeno interessante de ser analisado,
o auto-sacrifício a que se submete o corpo para corresponder aos ideais
estéticos de cada época, corseletes no século XIX, anorexia no século
XX e XXI. Os indivíduos sentem-se como que seduzidos e, em maior ou
menor grau, submetidos aos ditames de padrões, em determinada
época ditados pela moral da Igreja, atualmente pela mídia e pelas
griffes. Em troca de sacrifícios, o indivíduo espera receber a admiração
do sexo oposto e da sociedade. Busca-se, também, uma apropriação da
imagem idealizada do personagem projetado, e isto costuma ser mais
intenso na adolescência, quando a necessidade de buscar signos
identificatórios é maior. A problemática identitária se consolida quando o
indivíduo não consegue “ser” plenamente, quando não consegue
diferenciar a imagem do sujeito ou quando corpo e alma se dissociam, e
deixam de se integrar num corpo autêntico (Mattos, 2002).
Os transtornos alimentares podem ser considerados um excelente
campo para o estudo da interação dos aspectos sócio-culturais
(transubjetivos) com os demais fatores. Nesse contexto vigora uma
estética sem ética, na qual há uma perversão do ideal em sujeitos que
sofrem de distorções na formação do ideal de ego.
Considerações finais:

Depreende-se do que foi exposto que os Transtornos Alimentares
e a Obesidade podem ser compreendidos como patologias híbridas,
atravessadas pelo somático e pelo psíquico. Sendo, portanto,
recomendável na maioria dos casos uma abordagem interdisciplinar
especializada e um enfoque multidimensional.
A psicanálise contemporânea tem trazido contribuições
fundamentais sobre o sujeito acometido desses distúrbios e sobre as
configurações vinculares implicadas na produção desses sintomas.
O papel ocupado pelos aspectos transubjetivos na etiopatogenia
dos Transtornos Alimentares tem sido motivo de discussões amplas e
complexas. Uma abordagem sócio-cultural busca valorizar a ligação
entre a "cultura do corpo" e os Transtornos Alimentares. Somos, sem
dúvida, todos sujeitos da estrutura social. É, portanto, interessante que
as investigações continuem no sentido de se conhecer melhor os
possíveis significados sócio-culturais expressos através dos sintomas,
assim como a identificação mais precisa da forma pela qual se dá essa
ligação.
A imbricação somatopsíquica nestes casos também é um campo
fértil para pesquisas e desenvolvimentos psicanalíticos. Certamente este
trabalho não esgota nenhum dos aspectos discutidos, mas visa convidar
o leitor a mergulhar neste complexo campo de estudo.

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NUNES, A. e col. Transtornos Alimentares e Obesidade. Porto Alegre:
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Psíquica Básica del Obeso, Apresentado ao XVI Congresso Internacional
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ZUKERFELD, R. Acto, Bulimico, corpo y tercera tópica. BA: Paidós, 1996.
___________________________________________________________________________________________________
Contemporânea - Psicanálise e Transdisciplinaridade, Porto Alegre, n.02, Abr/Mai/Jun 2007
Disponível em: www.contemporaneo.org.br/contemporanea.php 98

DANÇA COM BEBÊ

Uma amiga me enviou este e-mail abaixo, sobre dança, porque sabe que sou apaixonada tanto por dança, quanto por bebês. Achei muito legal. Espero que gostem. Bjos.

DANÇA COMIGO!!

Basta segurar um bebê nos braços para que surja no adulto um movimento instintivo de iniciar um suave balanço. Com esse simples gesto, o choro começa a cessar e inicia-se um processo interessante de ligação através do movimento.
O obstetra francês Fredérick Leboyer, em seu livro Loving Hands, diz que a vida no útero é rica em sons e barulhos. Mas a maior parte é movimento contínuo. Quando a mãe senta, levanta, caminha ou vira o corpo, há movimento e mais movimento. Por isso bebês adoram ser balançados, acompanhados de sons ou músicas cantadas pela mãe. Esse ritual parece enfeitiçar os pequenos, que respondem com sorrisos e semblantes tranquilos.
Tatiana Tardioli, especialista em danças brasileiras, capoeira e dança contemporânea, encantou-se com esta relação entre o movimento e os bebês. “Meu interesse por trabalhar com gestantes e mães veio junto com a maternidade. Quis integrar este universo à dança para que outras mulheres e seus bebês experimentassem o benefício”, diz a dançarina. Hoje, ela ministra aulas de dança, em São Paulo, para gestantes e mamães com bebês de colo, dentro de carregadores, no colo, em slings ou cangurus.
Dança na gestação
Segundo Tatiana, a dança na gestação possibilita que a mulher assimile as mudanças do corpo com tranquilidade e alegria. “Movimentar-se colabora para que o corpo se reequilibre e sustente harmoniosamente o ganho de peso. Melhora a oxigenação e a circulação sanguínea, beneficiando a mãe e o bebê. Por combinar exercícios de alongamento, fortalecimento muscular, relaxamento e respiração, contribui também com a preparação para o parto, quando precisamos conciliar momentos de ação e de entrega”, afirma.
Nas aulas, as mulheres são convidadas a prestar atenção no próprio corpo, na respiração e no bebê. Segundo a dançarina, a intenção é afinar a sintonia e contribuir para que a mulher se coloque no momento presente. “Depois vem a dança à base de improvisações e direcionadas à exploração do movimento, percepção dos apoios, dos impulsos, da relação com o espaço, com o bebê e com as outras grávidas. No final, mais um pouco de alongamento e respiração”, detalha.
Dance em casa
Se você não pode frequentar essas aulas, Tatiana Tardoli dá algumas dicas para praticar em casa. Siga as instruções da dançarina:
Libere um espaço da casa onde você se sinta bem. Não precisa ser grande, basta ser livre de objetos e móveis.
Selecione algumas músicas que você goste. Algumas tranquilas, outras mais animadas.
Fique descalça e com uma roupa bem confortável.
Deite-se no chão, esteira ou colchonete.
Sinta-se merecedora de dedicar este tempo a você e ao seu bebê.
Toque sua barriga, respire e comece a se espreguiçar. Quando espreguiçamos o corpo, ele nos mostra quais são os caminhos a serem percorridos, os locais que precisam de um toque de massagem ou de mais alongamento.
Boceje sonoramente e vá, aos poucos, se levantando, sem deixar de espreguiçar.
Saindo do plano baixo, passe pelo médio e chegue ao alto, confortavelmente.
Brinque com os apoios dos seus pés. Evite saltos ou batidas exageradamente fortes no chão.
Perceba o vento produzido por seus movimentos.
Sinta sua pele e dance livremente.
Perceba sua barriga, brinque com a maneira que seus pés e pernas lidam com o peso dela e de sua bacia.
Enfim, divirta-se, aprecie seus novos contornos, vá diminuindo o ritmo gradualmente.
Alongue o corpo mais um pouquinho, tome um belo banho. Siga seus rituais de beleza e, mais energizada, toque a vida ou curta um belo descanso.
Importante: segundo Tatiana, indica-se iniciar esta atividade a partir de 12 semanas de gestação, ou antes, desde que a mulher já tenha o hábito de praticar atividades físicas e obtenha concordância do médico.
Dance juntinho
Depois do parto, dançar com o bebê ajuda a mulher a entrar em contato com o corpo num momento transitório, quando não há mais a barriga da gravidez e, em geral, há o desejo de perda de peso. “Há o prazer de realizar uma atividade na companhia do bebê, que fica grudadinho na mãe, dentro de um sling ou wrap, o que é ótimo para aprofundar o vínculo mãe e filho, além de ser relaxante para ambos”, complementa Tatiana.
Para a dançarina, o ideal é começar a partir de dois meses. Os benefícios da prática são grandes. Para a mãe, fortalece o vínculo com o filho, ajuda na redução de peso e na reeducação corporal, o que evita ou minimiza problemas posturais, inclusive na maneira de carregar e amamentar o bebê. Para o bebê, a proximidade com a mãe faz com que se sinta amado e protegido, além de ajudar a reduzir a incidência de cólicas. “O balanço da dança é extremamente relaxante para os bebês que, em geral, sorriem, divertem-se e ficam mais calmos - muitas vezes acabam dormindo”, afirma.
Importante: para praticar em casa, é preciso tomar alguns cuidados:
O bebê deve estar bem seguro, para não cair em alguns movimentos.
Mesmo usando carregador é necessário garantir proteção extra à cabeça e à coluna do bebê.
Não se deve pular com bebês muito pequenos. “Na aula, se estamos, por exemplo, dançando frevo, os movimentos mais pulados são substituídos por uma transferência de peso sutil”, diz Tatiana.
Mesmo que você não se considere uma grande dançarina, experimente dançar coladinha com seu bebê. São esses pequenos momentos preciosos que criam vínculos para toda a vida.

Para saber mais, acesse www.maternidadeativa.com.br

Saúde lista 71 plantas para ser usadas pelo SUS

Alcachofra para ajudar na digestão, aroeira da praia para combater inflamação vaginal e unha-de-gato para dores nas articulações. A sabedoria popular conhece há muito tempo o poder das plantas, que começa a ser comprovado cientificamente. Por isso, o Ministério da Saúde elaborou uma lista com 71 plantas que poderão gerar produtos para serem usados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo da Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (Renisus) é orientar estudos que possam subsidiar a elaboração da relação de fitoterápicos disponíveis para uso da população, com segurança e eficácia para o tratamento de determinadas doenças. A relação deverá ser revisada e atualizada periodicamente. A partir de 2009, o SUS pretende ampliar a lista de medicamentos fitoterápicos disponíveis na assistência farmacêutica básica em todo o país. Atualmente, são oferecidos fitoterápicos derivados de espinheira santa, para gastrites e úlceras, e de guaco, para tosses e gripes. Os fitoterápicos são os medicamentos obtidos exclusivamente a partir de matérias-primas ativas vegetais. Os medicamentos fitoterápicos utilizados pelo SUS são aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e considerados seguros e eficazes para a população. O Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, instituído em dezembro de 2008, tem como objetivo inserir, com segurança, eficácia e qualidade, plantas medicinais, fitoterápicos e serviços relacionados Fitoterapia no SUS. O programa busca também promover e reconhecer as práticas populares e tradicionais de uso de plantas medicinais e remédios caseiros.

Matéria Sobre o Chá Verde

Chá verde não reduz risco de problemas cardiovasculares.
O chá verde não reduz os riscos de doenças cardiovasculares, concluiu a agência americana de regulamentação de remédios e alimentos (FDA) em um relatório divulgado ontem. A FDA rejeitou assim um pedido feito em 2005 pela companhia japonesa Ito En Ltd, primeiro produtor mundial de chá verde, para obter autorização nos Estados Unidos para indicar o produto no tratamento preventivo de doenças cardíacas. "Baseado no exame de elementos científicos e de outras informações que integram o pedido (...) a FDA concluiu que não há qualquer evidência crível que justifique uma indicação em bula sobre o efeito do chá verde na redução de doenças cardiovasculares", disse Barbara Schneeman, diretora do Bureau de produtos de nutrição e complementos alimentares. Ito En Ltd e sua filial americana afirmam que beber diariamente "ao menos 150 ml de infusão de chá verde reduz vários fatores ligados a doenças cardiovasculares". O chá verde é produzido a partir das folhas da camellia sinensis e, ao contrário do chá preto, as folhas utilizadas para a infusão não são fermentadas.A FDA já tinha concluído que o chá verde não reduz os riscos de câncer do seio ou da próstata.

Introdução de Alimentação para o Bebê

Uma gestante me passou este material, achei bastante interessante e por isso estou postando no meu blog. Bjos.

" A introdução de alimentos é o período que se inicia no sexto mês de vida e quando bebê já senta, e vai até o primeiro ano, onde o bebê é gradualmente apresentado aos alimentos. É um período de transição da ingestão exclusiva de leite materno para a ingestão de alimentos e deleite materno. O leite materno permanece na dieta do bebê nos intervalos das refeições e é uma excelente fonte de nutrientes. O leite materno ainda é a principal fonte de alimentação do bebê, então não há problema em introduzir alimentos aos poucos ou a criança comer pouco.Também não há certo ou errado na introdução de alimentos. Cada cultura faz de uma maneira, cada parte do Brasil, cada mãe... O que cada uma de nós fizer vai ser o melhor pros nossos filhos.As orientações dadas nesse encontro focam a introdução das primeiras refeições com alimentos salgados.A introdução é primeiramente feita com os alimentos salgados, pois o bebê pode desenvolver uma predileção pelo paladar doce. O que a criança provar nos seis primeiros meses ficará em sua memória. Mesmo que o doce não fosse introduzido logo, seria mais simples se habituar a esse sabor depois, por isso, não há motivo para introduzir as frutas (doces) primeiro.As primeiras refeições, para uma combinação nutritiva e energética, são compostas de:-uma raiz (alimentos que nascem na terra) -uma folha (aproveita-se o caule também)-uma flor ou fruto (flores como couve-flor, brócolis, alcachofra e alimentos que contém sementes)Nos primeiros 15 dias: oferecer apenas o almoçoNos 15 dias posteriores: lanche da manhã e almoçoNos 15 dias posteriores: lanche da manhã, almoço e jantarÉ importante que a criaça tenha ritmo e as refeições são excelentes pra isso. Exemplos de raiz: mandioca, mandioquinha, batata, cenoura, beterraba...Pode-se utilizar folhas de beterraba, de cenora etc como folha. Mas o ideal é variar e não colocar beterraba e folha de beterraba na mesma refeição.Exemplos de fruto: abobrinha, tomate, xuxu, vagem, abóbora... O tomate é ácido e algumas crianças assam muito depois de comer o fruto. O ideal é tirar as sementes (e a pele por conta de agrotóxicos) e testar.Escolher composições coloridas de raiz, folha e fruto. Exemplos de refeição escolhida no encontro:-cenoura, couve e abobrinha-mandioquinha, espinafre e abóboraTemperos: no início, apenas sal marinho (uma ou duas pitadas) e azeite (um fio).O tempero altera o paladar do alimento. Incluir mais tarde, do sextomês ao primeiro ano, a salsinha, cebolinha, cebola, alho etc, os temperos que você usa em casa.Cortar na transversal os vegetais compridos.Oferecer a papinha amassadinha ou passada na peneira. Amassar um legume de cada vez. ( A peneira só é necessária nos primeiros dias, demassado).ois é melhor q o bebê se habitue ao amassado)Cozinhar no vapor, com a vantagem de cada alimento ficar separado. Mas é bom variar, cozinhando na água também. Panela de alumínio não deve ser usada por soltar alumínio. De ferro, todos os dias, só é recomendsado em caso de anemia, de ágata precisa estar sem nenhuma fissura. O ideal é utilizar inox, vidro ou pedra.Introdução dos grãos e cereais: a partir do sétimo mês de vida.Introdução das carnes e proteína animal: a partir do nono mês. (peixe de rio somenteapós um ano)Introdução dos ovos: a partir do décimo mês, se o bebê já dormir a noite toda. "

Açúcar contra a dor acalma recém-nascidos

Encontrei esta matéria e achei muito interessante para o meu público.
Boa leitura.

Recém-nascidos prematuros que recebem soluções de sacarose —uma espécie de “água com açúcar”— antes de procedimentos dolorosos sofrem menos durante a internação hospitalar, de acordo com uma pesquisa de mestrado da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP). Publicado ano passado em revistas internacionais, o trabalho com doses continuadas teve resultados tão positivos que o Hospital das Clínicas (HC-RP) adotou este ano o método como terapia padrão. “Essa sacarose não é a mesma do açúcar que se usa em casa, mas é uma solução adocicada que aplicamos com uma concentração de 25%”, disse a psicóloga Cláudia Gaspardo, que defendeu a tese.O estudo diagnosticou ainda que os bebês internados sofrem por antecipação e tem mudanças no ritmo cardíaco antes de passarem por exames como punções (ao longo da internação, o paciente pode passar por até 400 procedimentos dolorosos). “Fizemos uma etapa de observação e, antes da picada que causa a dor, na hora de passar o álcool para assepsia, os bebês já respondiam com atividade física e psicológica, mostrando que houve um aprendizado, que eles antecipavam a dor”, disse Cláudia. A próxima fase, que já está em investigação para o doutorado da pesquisadora, avaliará a recuperação e os efeitos da experiência de dor em bebês prematuros nos primeiros anos de vida. A sacarose já era recomendada como intervenção não-farmacológica para alívio de dor pelas sociedades de pediatria norte-americana e canadense, mas, até então, era aplicada em dose única. O estudo da USP se diferenciou ao trabalhar com doses menores e repetidas, dadas conforme o peso do bebê. O uso da substância, entretanto, não substitui medicamentos em caso de dores fortes, nem controla todas as formas de estresse a que o prematuro está sujeito, como luminosidade, barulho e manuseio excessivo no ambiente hospitalar, que podem trazer prejuízos futuros à criança. Ao todo, foram avaliados 55 bebês (sendo que 33 deles receberam a solução de sacarose de forma repetida) internados no HC que não estavam sob efeito de analgésico.

Desafios do Feminino

Esse texto veio de outra lista que participo. Foi escrito por Ric Jones, obstetra humanizado lá de Porto Alegre. Achei bem interessante sua discussão. Vale a pena ler...
Caríssimas amigas: Mantendo-se ainda no debate sobre a amamentação e suas conexões com o amor...Outra questão que sempre me angustia:"Porque as mulheres continuam acreditando que podem diminuir suas angústias desmerecendo seus desafios?"Vejo o contrário nos homens, e isso talvez tenha a ver com a nossa eterna preparação para o embate e a guerra. Nenhum homem que conheço desmerece suas conquistas pelo medo de sucumbir ao fracasso. Sabemos que o preço da ambição é a dor da falha, mas a sombra da perda serve como estímulo ao nosso esforço em busca do sucesso e da glória.Porque o medo de falhar imobiliza as mulheres?O roteiro é sempre o mesmo: para não sofrer com o insucesso de um nascimento mais saudável e fisiológico, direi que o parto normal "não é tão importante assim; o que vale é o bebê estar bem e a mãe com saúde". Para não me atormentar com uma amamentação insuficiente, direi que "ela não é tão grandiosa assim, e que não é um ato de amor. Direi que a amamentação é apenas alimento, e que este pode até ser substituído, caso necessário". Afinal, quantas crianças foram desmamadas precocemente e acabaram sobrevivendo? (inclusive este articulista)
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais, gritava Belchior - pela voz de Elis - nos meus ouvidos de menino. E ele estava coberto de razão. Nossa essência pouco mudou; o feminino ainda precisa se transmutar, amadurecer.Parece que a revolução sexual, o "Women's Lib", a queima de sutiãs, a invasão do mercado de trabalho, a presença crescente na política, e tantas outras manifestações culturais positivas da mudança da mulher ainda não foram suficientes para resgatá-las plenamente da dependência e da síndrome de "coitadismo", que funciona como uma potente sedução ao imobilismo. É neste aspecto que acredito que as mulheres deveriam aprender com a experiência dos homens; é neste ponto que nossa testosterona pode ser de alguma utilidade. Se eu posso acreditar que o sucesso de nossa humanidade depende de um processo de equilíbrio, através de uma espécie de "feminilização" crescente na cultura, acredito também que existe espaço para o masculino no discurso feminino. O "hibridismo" psicológico fortalece o indivíduo (e, por extensão, a própria sociedade que o envolve), pois que o capacita a entender as diferentes linguagens nuances da cultura. Também deve ser objetivo das mulheres lutarem bravamente e com afinco para vencer seus desafios, sem se acovardar diante das adversidades, e sem a paralisia pelo temor de falhar. É importante que no terreno do feminino, como no parto e na amamentação, as mulheres possam usar o medo de fracassar como combustível no seu afã de conquistar e ter sucesso, e não como desculpa para desistir. Olhem os jogadores de futebol diante de uma final de campeonato, e imaginem-se na mesma situação. Todos eles têm medo de perder, de não alcançar e de falhar. Entretanto, todos relatam que este medo funciona como um "doping moral", que os estimula a fazer todos os esforços possíveis para conseguir a vitória. As mulheres diante do desafio de suas capacidades como gestantes e mães devem se colocar da mesma forma. A tarefa é gigantesca, assim como serão enormes os esforços, mas estas dificuldades devem servir como estímulo à luta e à determinação.Não se trata de enaltecer os homens, chamando-os de bravos; sequer de diminuir as mulheres tratando-as como fracas. Nada disso. Minha visão destas diferenças tem, sim, a ver com o aprendizado que cada um tem a oferecer e receber do outro. Os homens, na sua longa história de batalhas e guerras, entenderam que as grandes conquistas surgem das grandes dificuldades. As mulheres precisam entender que gestar, parir e amamentar são desafios tão eloqüentes e grandiosos como a conquista de um país ou a vitória em uma copa mundial. Desmerecer seus desafios para se proteger da depressão do fracasso jamais tornou vitorioso ou virtuoso qualquer povo ou indivíduo. Um beijo, Ric.

Campanha da Pastoral da Criança - 2009


A Campanha da Pastoral da Criança deste ano é bem linda.
Confira!

SAIBA MAIS: http://www.pastoraldacrianca.org.br/hotsite/saiba.htm

Uma imagem significativa!


Recebi esta imagem de uma grávida de antigamente...
Para mim, esta imagem significa tudo,pois se todos os partos fossem assim...
Todas as mulheres teríam uma qualidade de vida melhorno pós-parto.

Estudo sobre ultrassonografia

Um estudo feito em Noruega descreve o resultado do diagnóstico pre-natal pormeio de ecografias em 36 crianças que tiveram problemas congênitos sérios.O objetivo era detectar quantos dos problemas foram detectados por meio dasecografias antes do nascimento, e se os resultados forem melhores nosexemplos dos bebês em que o problema era conhecido antes do nascimento, que para os bebês em quem o problema não foi visto na ecografia e não foidescoberto logo após o parto. Nas mães, em média foram feitas 5 ecografias,mas nas mulheres onde algum problema foi detectado, a média foi de 7ecografias.Por meio dos ecografias, descobriram somente 2 de 8 hérnias congênitas dediafragma, metade dos exemplos dos defeitos da parede abdominal (6 de 12), 5de 13 casos de meningomielocele e nenhum dos três exemplos de extroversão da bexiga.Todos os bebês (13) em que houve detecção de algum problema por meio dodiagnóstico pre-natal nasceram através da cesariana.19 dos 23 em que os diagnósticos foram dados após o nascimento, haviamnascido através do parto vaginal sem complicações. Os bebês diagnosticadoscom problemas antes de nascer eram de idade gestacional menor (duassemanas), um peso mais baixo ao nascer, e com resultados do testeligeiramente mais baixo de Apgar. 3 de 13 (23%) morreram, em detrimento dos1 de 23 (4%) daqueles diagnosticados após o nascimento. - o jornal dosALVOS, Vol. 10 no. 2 "Um outro estudo norueguês (Salvesen, 1993) demonstrou relação entre o aumento no uso dos ecografias e o aumento do número de crianças canhotas.Há um livro chamado "Ultrasound? Unsound" de Beverley Beech. Alguns dadossão bastante fortes:"Em um estudo feito em Dinamarca em 1992, 1.000 mulheres consideradas nogrupo do risco elevado fizeram ecografia na semana 29 e a partir daí a cadaterceira semana até o parto, para considerar o peso fetal. Somente confiaram aos ginecologistas, os resultados de metade dessas mulheres. Isto não melhorou os resultados na saúde fetal; havia mais mortes perinatais nogrupo das mulheres que não tiveram seus resultados revelados (7 contra 4) eesse grupo ficou mais tempo no hospital, com custo econômico maior, e semnenhum benefício "."Em 1982 o Departamento de Saúde e Serviços Humanos Inglês fez um estudosobre ecografias. Este estudo sugeria (baseado em animais) a possibilidadede danos ao sistema imunológico assim como efeitos neurológicose decomportamento.Os autores concluíram que "Os efeitos agudos adversos não têm sidosistematicamente explorados e os efeitos a longo prazo estão sendopraticamente ignorados. A exatidão e interpretação varia enormemente entreas ecografias de centro a centro, e dependem também da experiência e práticado ultrassonografista. Os diagnósticos falso-positivos são freqüentes, e,de fato, os falso-negativos são ainda maiores; ambos variam segundo o lugarem que se faça a ecografia"."Os autores de um relatório de 1992 informam que para um determinado númerode circunstâncias sérias, mais de 10% de diagnósticos pré-natais foramcompletamente equivocados. Como na maioria dos outros estudos publicados,contudo, não foram dadas informações sobre o número de bebês abortados queapresentaram resultados normais".Um estudo de Jahn revelou que de 2.378 gravidezes, somente 58 de 183 bebêscom crescimento retardado foram diagnosticados antes do nascimento, e 45fetos foram diagnosticados erroneamente, pois foi detectado crescimentoretardado, quando na verdade os fetos não padeciam dele. Somente 28 dos 72bebês com crescimento retardado severo foram detectados antes do nascimento.Além disso, os bebês diagnosticados tiveram maior probabilidade de nascerpor cesárea (44,4%) em detrimento dos 17,4% que segundo a ecografia nãopareciam pequenos para sua idade. A necessidade de cuidados intensivos era 3vezes maior para os bebês diagnosticados. (Jahn a ET al. (1998). Routinescreening for intrauterine growth retardation in Germany: low sensitivityand uestionable benefit for diagnosed cases. Acta Obstet Gynae Scand. 77:643-689).
Em inglês, alguns links relacionados:

Estudo sobre ultrassonografia

Um estudo feito em Noruega descreve o resultado do diagnóstico pre-natal pormeio de ecografias em 36 crianças que tiveram problemas congênitos sérios.O objetivo era detectar quantos dos problemas foram detectados por meio dasecografias antes do nascimento, e se os resultados forem melhores nosexemplos dos bebês em que o problema era conhecido antes do nascimento, que para os bebês em quem o problema não foi visto na ecografia e não foidescoberto logo após o parto. Nas mães, em média foram feitas 5 ecografias,mas nas mulheres onde algum problema foi detectado, a média foi de 7ecografias.Por meio dos ecografias, descobriram somente 2 de 8 hérnias congênitas dediafragma, metade dos exemplos dos defeitos da parede abdominal (6 de 12), 5de 13 casos de meningomielocele e nenhum dos três exemplos de extroversão da bexiga.Todos os bebês (13) em que houve detecção de algum problema por meio dodiagnóstico pre-natal nasceram através da cesariana.19 dos 23 em que os diagnósticos foram dados após o nascimento, haviamnascido através do parto vaginal sem complicações. Os bebês diagnosticadoscom problemas antes de nascer eram de idade gestacional menor (duassemanas), um peso mais baixo ao nascer, e com resultados do testeligeiramente mais baixo de Apgar. 3 de 13 (23%) morreram, em detrimento dos1 de 23 (4%) daqueles diagnosticados após o nascimento. - o jornal dosALVOS, Vol. 10 no. 2 "Um outro estudo norueguês (Salvesen, 1993) demonstrou relação entre o aumento no uso dos ecografias e o aumento do número de crianças canhotas.Há um livro chamado "Ultrasound? Unsound" de Beverley Beech. Alguns dadossão bastante fortes:"Em um estudo feito em Dinamarca em 1992, 1.000 mulheres consideradas nogrupo do risco elevado fizeram ecografia na semana 29 e a partir daí a cadaterceira semana até o parto, para considerar o peso fetal. Somente confiaram aos ginecologistas, os resultados de metade dessas mulheres. Isto não melhorou os resultados na saúde fetal; havia mais mortes perinatais nogrupo das mulheres que não tiveram seus resultados revelados (7 contra 4) eesse grupo ficou mais tempo no hospital, com custo econômico maior, e semnenhum benefício "."Em 1982 o Departamento de Saúde e Serviços Humanos Inglês fez um estudosobre ecografias. Este estudo sugeria (baseado em animais) a possibilidadede danos ao sistema imunológico assim como efeitos neurológicose decomportamento.Os autores concluíram que "Os efeitos agudos adversos não têm sidosistematicamente explorados e os efeitos a longo prazo estão sendopraticamente ignorados. A exatidão e interpretação varia enormemente entreas ecografias de centro a centro, e dependem também da experiência e práticado ultrassonografista. Os diagnósticos falso-positivos são freqüentes, e,de fato, os falso-negativos são ainda maiores; ambos variam segundo o lugarem que se faça a ecografia"."Os autores de um relatório de 1992 informam que para um determinado númerode circunstâncias sérias, mais de 10% de diagnósticos pré-natais foramcompletamente equivocados. Como na maioria dos outros estudos publicados,contudo, não foram dadas informações sobre o número de bebês abortados queapresentaram resultados normais".Um estudo de Jahn revelou que de 2.378 gravidezes, somente 58 de 183 bebêscom crescimento retardado foram diagnosticados antes do nascimento, e 45fetos foram diagnosticados erroneamente, pois foi detectado crescimentoretardado, quando na verdade os fetos não padeciam dele. Somente 28 dos 72bebês com crescimento retardado severo foram detectados antes do nascimento.Além disso, os bebês diagnosticados tiveram maior probabilidade de nascerpor cesárea (44,4%) em detrimento dos 17,4% que segundo a ecografia nãopareciam pequenos para sua idade. A necessidade de cuidados intensivos era 3vezes maior para os bebês diagnosticados. (Jahn a ET al. (1998). Routinescreening for intrauterine growth retardation in Germany: low sensitivityand uestionable benefit for diagnosed cases. Acta Obstet Gynae Scand. 77:643-689).


Em inglês, alguns links relacionados: