DANÇA COMIGO!!
Basta segurar um bebê nos braços para que surja no adulto um movimento instintivo de iniciar um suave balanço. Com esse simples gesto, o choro começa a cessar e inicia-se um processo interessante de ligação através do movimento.
O obstetra francês Fredérick Leboyer, em seu livro Loving Hands, diz que a vida no útero é rica em sons e barulhos. Mas a maior parte é movimento contínuo. Quando a mãe senta, levanta, caminha ou vira o corpo, há movimento e mais movimento. Por isso bebês adoram ser balançados, acompanhados de sons ou músicas cantadas pela mãe. Esse ritual parece enfeitiçar os pequenos, que respondem com sorrisos e semblantes tranquilos.
Tatiana Tardioli, especialista em danças brasileiras, capoeira e dança contemporânea, encantou-se com esta relação entre o movimento e os bebês. “Meu interesse por trabalhar com gestantes e mães veio junto com a maternidade. Quis integrar este universo à dança para que outras mulheres e seus bebês experimentassem o benefício”, diz a dançarina. Hoje, ela ministra aulas de dança, em São Paulo, para gestantes e mamães com bebês de colo, dentro de carregadores, no colo, em slings ou cangurus.
Dança na gestação
Segundo Tatiana, a dança na gestação possibilita que a mulher assimile as mudanças do corpo com tranquilidade e alegria. “Movimentar-se colabora para que o corpo se reequilibre e sustente harmoniosamente o ganho de peso. Melhora a oxigenação e a circulação sanguínea, beneficiando a mãe e o bebê. Por combinar exercícios de alongamento, fortalecimento muscular, relaxamento e respiração, contribui também com a preparação para o parto, quando precisamos conciliar momentos de ação e de entrega”, afirma.
Nas aulas, as mulheres são convidadas a prestar atenção no próprio corpo, na respiração e no bebê. Segundo a dançarina, a intenção é afinar a sintonia e contribuir para que a mulher se coloque no momento presente. “Depois vem a dança à base de improvisações e direcionadas à exploração do movimento, percepção dos apoios, dos impulsos, da relação com o espaço, com o bebê e com as outras grávidas. No final, mais um pouco de alongamento e respiração”, detalha.
Dance em casa
Se você não pode frequentar essas aulas, Tatiana Tardoli dá algumas dicas para praticar em casa. Siga as instruções da dançarina:
Libere um espaço da casa onde você se sinta bem. Não precisa ser grande, basta ser livre de objetos e móveis.
Selecione algumas músicas que você goste. Algumas tranquilas, outras mais animadas.
Fique descalça e com uma roupa bem confortável.
Deite-se no chão, esteira ou colchonete.
Sinta-se merecedora de dedicar este tempo a você e ao seu bebê.
Toque sua barriga, respire e comece a se espreguiçar. Quando espreguiçamos o corpo, ele nos mostra quais são os caminhos a serem percorridos, os locais que precisam de um toque de massagem ou de mais alongamento.
Boceje sonoramente e vá, aos poucos, se levantando, sem deixar de espreguiçar.
Saindo do plano baixo, passe pelo médio e chegue ao alto, confortavelmente.
Brinque com os apoios dos seus pés. Evite saltos ou batidas exageradamente fortes no chão.
Perceba o vento produzido por seus movimentos.
Sinta sua pele e dance livremente.
Perceba sua barriga, brinque com a maneira que seus pés e pernas lidam com o peso dela e de sua bacia.
Enfim, divirta-se, aprecie seus novos contornos, vá diminuindo o ritmo gradualmente.
Alongue o corpo mais um pouquinho, tome um belo banho. Siga seus rituais de beleza e, mais energizada, toque a vida ou curta um belo descanso.
Importante: segundo Tatiana, indica-se iniciar esta atividade a partir de 12 semanas de gestação, ou antes, desde que a mulher já tenha o hábito de praticar atividades físicas e obtenha concordância do médico.
Dance juntinho
Depois do parto, dançar com o bebê ajuda a mulher a entrar em contato com o corpo num momento transitório, quando não há mais a barriga da gravidez e, em geral, há o desejo de perda de peso. “Há o prazer de realizar uma atividade na companhia do bebê, que fica grudadinho na mãe, dentro de um sling ou wrap, o que é ótimo para aprofundar o vínculo mãe e filho, além de ser relaxante para ambos”, complementa Tatiana.
Para a dançarina, o ideal é começar a partir de dois meses. Os benefícios da prática são grandes. Para a mãe, fortalece o vínculo com o filho, ajuda na redução de peso e na reeducação corporal, o que evita ou minimiza problemas posturais, inclusive na maneira de carregar e amamentar o bebê. Para o bebê, a proximidade com a mãe faz com que se sinta amado e protegido, além de ajudar a reduzir a incidência de cólicas. “O balanço da dança é extremamente relaxante para os bebês que, em geral, sorriem, divertem-se e ficam mais calmos - muitas vezes acabam dormindo”, afirma.
Importante: para praticar em casa, é preciso tomar alguns cuidados:
O bebê deve estar bem seguro, para não cair em alguns movimentos.
Mesmo usando carregador é necessário garantir proteção extra à cabeça e à coluna do bebê.
Não se deve pular com bebês muito pequenos. “Na aula, se estamos, por exemplo, dançando frevo, os movimentos mais pulados são substituídos por uma transferência de peso sutil”, diz Tatiana.
Mesmo que você não se considere uma grande dançarina, experimente dançar coladinha com seu bebê. São esses pequenos momentos preciosos que criam vínculos para toda a vida.
Para saber mais, acesse www.maternidadeativa.com.br
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