Boa leitura.
Recém-nascidos prematuros que recebem soluções de sacarose —uma espécie de “água com açúcar”— antes de procedimentos dolorosos sofrem menos durante a internação hospitalar, de acordo com uma pesquisa de mestrado da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP). Publicado ano passado em revistas internacionais, o trabalho com doses continuadas teve resultados tão positivos que o Hospital das Clínicas (HC-RP) adotou este ano o método como terapia padrão. “Essa sacarose não é a mesma do açúcar que se usa em casa, mas é uma solução adocicada que aplicamos com uma concentração de 25%”, disse a psicóloga Cláudia Gaspardo, que defendeu a tese.O estudo diagnosticou ainda que os bebês internados sofrem por antecipação e tem mudanças no ritmo cardíaco antes de passarem por exames como punções (ao longo da internação, o paciente pode passar por até 400 procedimentos dolorosos). “Fizemos uma etapa de observação e, antes da picada que causa a dor, na hora de passar o álcool para assepsia, os bebês já respondiam com atividade física e psicológica, mostrando que houve um aprendizado, que eles antecipavam a dor”, disse Cláudia. A próxima fase, que já está em investigação para o doutorado da pesquisadora, avaliará a recuperação e os efeitos da experiência de dor em bebês prematuros nos primeiros anos de vida. A sacarose já era recomendada como intervenção não-farmacológica para alívio de dor pelas sociedades de pediatria norte-americana e canadense, mas, até então, era aplicada em dose única. O estudo da USP se diferenciou ao trabalhar com doses menores e repetidas, dadas conforme o peso do bebê. O uso da substância, entretanto, não substitui medicamentos em caso de dores fortes, nem controla todas as formas de estresse a que o prematuro está sujeito, como luminosidade, barulho e manuseio excessivo no ambiente hospitalar, que podem trazer prejuízos futuros à criança. Ao todo, foram avaliados 55 bebês (sendo que 33 deles receberam a solução de sacarose de forma repetida) internados no HC que não estavam sob efeito de analgésico.
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