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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
CIÚME E RIVALIDADE ENTRE IRMÃOS
Luciana Aguiar O nascimento de uma criança em uma família traz sempre uma mudança. Com a chegada de uma outra criança, a família necessariamente passa por uma reestruturação e sentimentos até então não experimentados emergem como uma novidade a ser elaborada. O ciúme, que gera disputas e rivalidade é um deles.Portanto, é compreensível que uma criança ao se deparar com outra criança em um espaço que inicialmente era somente seu, sinta-se momentaneamente ameaçada, insegura, com medo de perder seu espaço. Isso é algo com que todas as crianças nessa situação têm que lidar; o quão intenso isso vai ser e o quanto isso vai perdurar e como, vai depender de como a família vai viver essa questão. O ciúme vai se manifestar de várias formas, mais ou menos diretas, através de comportamentos regressivos, agressivos, competitivos e, muitas vezes, de uma série de sintomas aparentemente desvinculados dessa questão, dependendo do que o meio em que a criança se encontra vai permitir acontecer. A rivalidade entre irmãos gerada por esse sentimento faz parte de toda configuração familiar e se encontra no jogo ambivalente de sentimentos que permeiam as relações familiares. O fundamental para que as crianças vivenciem isso de uma forma mais tranqüila e que não venha a ser um problema, é algo bem anterior à própria chegada dos irmãos: é a qualidade da relação que a criança já estabelece com os pais. É a qualidade dessa relação que vai determinar se a criança vai se apresentar mais ou menos insegura, se ela vai confiar mais ou menos nas suas possibilidades de ser amada, se ela vai ter uma auto-estima mais ou menos fortalecida. Todos esses elementos são fundamentais para a vivência menos sofrida da chegada de um irmão, que implica necessariamente em partilhar e abrir mão de coisas e, principalmente da atenção dos pais.Estamos falando de uma relação onde existe espaço para satisfação e frustração, e não de uma relação simbiótica, pois essa obriga a criança a experimentar abruptamente algo que ela precisava ter experimentado e desenvolvido ao longo do tempo.Geralmente, tal fato está ligado a uma enorme dificuldade de separação por parte da mãe: é aquela que só consegue se separar do filho quando coloca outro no lugar, que precisa estar sempre preenchida por um bebê repleto de necessidades a serem satisfeitas. Crianças que são desmamadas porque o irmão nasceu ou que perdem o berço porque o irmão vai nascer são exemplos clássicos. Por outro lado, se a mãe tem com a criança uma relação difícil, de pouco acolhimento, vai gerar insegurança e sob o ponto de vista da criança se ela não pode contar muito com essa mãe, que a desqualifica em demasia, que não a aceita como ela é e não confirma seus sentimentos, quando chega um bebe, isso se concretiza. É como se a criança pensasse: "se quando era eu sozinha ela já não me dava atenção, imagina agora com outra criança no meio", vivenciando assim um grande sentimento de abandono.É fundamental para a criança que ela possa expressar esse sentimento e ser respeitada nisso. É preciso dar nome aos sentimentos, ajudar a criança a entende-los; nos só transformamos o que aceitamos, e reconhecer o ciúme da criança ajuda a mesma a organizar e lidar com esse sentimento.Quando uma criança bate no irmão e os pais nomeiam como "carinho" ou fazem uma severa repreensão, acabam por confundi-la, dizendo nas entrelinhas que ela não deve sentir o que sente, o que só faz a criança se sentir mais incompreendida, culpada e abandonada, intensificando o quadro apresentado. O ideal é que não se associe mais nenhuma mudança a esse acontecimento, porque já existem mudanças de sobra no processo de ter um irmão. É muito comum os pais colocarem a criança na escola assim que nasce o bebê, fazendo com que a criança se sinta trocada, deixada de lado, como se não tivesse lugar para dois em casa, inclusive dificultando a adaptação escolar. Não é recomendado também comprar algo para um sempre que comprar algo para o outro, pois isso indica para a criança que ela está perdendo algo que precisa ser reparado. A criança que tem esse tipo de compensação é uma criança que não vai conseguir perder; está sendo protegida de uma frustração que é inerente a vida. Resgatar a própria historia dela enquanto bebê, enquanto aquele filho, diferente do outro, é a melhor opção: isso valoriza o que ela é e pode ser e o seu lugar e importância naquela família. Aceitar os filhos com suas diferenças, da forma como cada um se apresenta, valorizando-os pelas suas qualidades, sem comparações e exigências é melhor forma de assegurar para cada criança esse lugar e minimizar os sentimentos que geram a rivalidade.E importante também dar um tempo para a criança assimilar a notícia da gravidez, o processo de gestação e o nascimento do irmão, sem força-la a sentir e/ou fazer coisas que ela não quer e não pode, pois o amor é construído e é preciso respeitar a capacidade e a possibilidade da criança ir construindo esse vínculo. É extremamente normal a ambivalência, porque criança que não sente ciúme não existe, existe criança que não pode expressa-lo por vias diretas, escolhendo muitas vezes o doloroso caminho dos sintomas. Portanto, somente através da aceitação e qualificação desses sentimentos em família, possibilitando que fantasias passem pelo crivo da realidade, que o diálogo se estabeleça e que as diferenças individuais sejam respeitadas, é que facilitaremos as relações entre irmãos permitindo assim que o amor e a cooperação também floresçam entre eles.
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