Educar é uma das profissões mais gratificantes,
considerando que o esforço e a dedicação desempenhados podem ser recompensados.
A escola tem um papel fundamental no desenvolvimento de uma criança e para que este
seja adequado, é necessário que haja uma boa relação entre o docente e seu
aluno.
O professor deve encontrar um meio para que consiga
se comunicar com a criança de um modo mais concreto e mais acessível possível,
para que haja interação e este recurso utilizado, faça com que a mesma mantenha
uma boa relação de vínculo afetivo com o mesmo.
É muito comum hoje, perceber que nesta categoria,
os profissionais acabam por terem de enfrentar muitos problemas, os quais
atrapalham e muito, a sua saúde. Os problemas sejam em escolas públicas ou
privadas, acontecem por conta de salas superlotadas, longa jornadas de
trabalho, baixos salários, indisciplina, burocracia, etc. Os níveis de estresse
aumentam, bem como, surge à depressão. Situações assim preocupam muito e chamam
muito à atenção, pois os docentes acabam por se enfraquecerem e com isso, se
afastam das salas de aulas, proporcionando assim, um déficit de desenvolvimento
das atividades pedagógicas.
A profissão docente sofreu grandes transformações
no decorrer da história da sociedade, pois se antes era visto como o mestre que
detinha o saber, agora sua principal função é ser colaborador no processo de
ensino e aprendizagem. Mas para que o mesmo exerça o seu papel de forma
eficiente e eficaz, é importante que o profissional da educação esteja
psicologicamente bem preparado.
São alarmante e muito preocupante, os casos de
altos níveis de estresse e as doenças vinculadas ao esgotamento físico e
mental, que vem surgindo e aumentando a cada ano nesta classe de profissionais.
O grande e constante contato e envolvimento com diversas pessoas vêm fazendo
com que os professores tenham de se esforçar mais fisicamente, emocionalmente e
psicologicamente, e através de esgotamento, surge um novo tipo de patologia
chamada Síndrome de Burnout, que também é conhecida como síndrome do
esgotamento profissional. Esta síndrome não possui consequências nocivas,
porém, mexe muito com a qualidade de vida do indivíduo e, não somente está
correlacionada a classe dos docentes, mas também, para outras profissões.
Segundo a pesquisadora, Marilda Emanuel N. Lipp
(2005), os sintomas aparecem gradativamente. O indivíduo entra no processo de
estresse pela fase de um alerta, produzido adrenalina dando energia e vigor.
Permanecendo o estressor, ou surgindo novo desafio ou dificuldade, o indivíduo
entra na segunda fase chamada de resistência, nesta fase surgem dois
importantes sintomas: a dificuldade com a memória5 e muito cansaço. Para sair
deste processo eliminando estresse é preciso muito esforço para lidar com a
situação. Caso não consiga resistir ou mesmo se adaptar o corpo dá sinais de
colapso entrando na fase de quase exaustão onde aparecem vários sintomas. Mas,
o mais importante, é que o docente deve compreender de que não está sozinho e,
que pode e deve pedir auxílio para lidar com todos estes problemas, até mesmo,
como uma forma de prevenção, para que seja evitado o surgimento desta
patologia.
É neste momento, que a terapia ocupacional pode
ajudar e auxiliar estes docentes, como forma de prevenção e tratamento, dando
orientações de autocuidado, de atividades que poderão ser realizadas dentro da
sala de aula, para que seja amenizada a indisciplina e com isso, criar-se um
melhor vínculo afetivo e um ambiente mais prazeroso para este momento de trabalho.
O autocuidado é um processo cognitivo, afetivo e
comportamental, no qual o indivíduo em questão assume a responsabilidade por
sua própria vida, conquistando integridade nas relações consigo e com o meio em
que vive. É muito importante que o docente preserve sua saúde, para que consiga
assim, cuidar do outro, ou das crianças que estão em sua sala de aula.
A terapia ocupacional sugere que para o seu
autocuidado, o docente antes e depois de entrar em sua sala, consiga fazer uma
automassagem, com movimentos circulares e feitos com as duas mãos em seu rosto,
braços, mãos, e ombros. Ajudando assim, que permaneçam um pouco mais relaxados.
A prática de escutar uma música amena e mais tranquila é outro método a ser
considerado e utilizado quando se está em uma situação complexa. Realizar
atividades manuais como forma de relaxamento, fazer yoga, praticar esportes ou
atividades físicas em geral, é outra forma de manter seu corpo em harmonia. É
muito comum, na prática da terapia ocupacional, o trabalho com o corpo e também
com a sua mente, pois trabalhamos o indivíduo como um todo e, todos os campos
deverão estar interligados, a parte física, psicológica e emocional.
Uma orientação muito comum para os docentes e
também, para as instituições de ensino, é que haja em algum momento, uma
prática de relaxamento ou conversa com o grupo de profissionais que trabalham
na mesma, como uma forma de troca de experiências e esclarecer dúvidas que
possam ter com relação ao cotidiano destes profissionais em ambiente escolar.
Nas salas de aulas, a terapia ocupacional sugere,
principalmente, na educação infantil, onde a criança passa por sua primeira
infância e talvez, a fase de desenvolvimento mais importante para elas, o
brincar como um recurso afetivo e de aprendizagem pedagógica, pois o ambiente
se tornará mais prazeroso, as crianças conseguirão compreender o conteúdo,
poderão participar de uma forma lúdica e, portanto, pressionando menos a ambos
os indivíduos, diminuirá com isso, a indisciplina, talvez o ambiente fique mais
calmo e o docente conseguirá realizar o seu trabalho mais adequadamente, sem
que prejudique a sua saúde.
Com isso, os ambientes escolares estarão mais
adequados tanto para a criança, quanto para o docente, melhorando os
relacionamentos internos e, trazendo maior qualidade para a própria proposta da
instituição e assim, diminuindo os altos índices de estresse e depressão, ou
patologias causadas por esgotamento destes profissionais.
Ana Paula Barêa Coelho
Terapeuta Ocupacional
CREFITO-3: 10.261/TO
Julho/2015
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