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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

A TERAPIA OCUPACIONAL E A SAÚDE DOS DOCENTES

Educar é uma das profissões mais gratificantes, considerando que o esforço e a dedicação desempenhados podem ser recompensados. A escola tem um papel fundamental no desenvolvimento de uma criança e para que este seja adequado, é necessário que haja uma boa relação entre o docente e seu aluno.
O professor deve encontrar um meio para que consiga se comunicar com a criança de um modo mais concreto e mais acessível possível, para que haja interação e este recurso utilizado, faça com que a mesma mantenha uma boa relação de vínculo afetivo com o mesmo.
É muito comum hoje, perceber que nesta categoria, os profissionais acabam por terem de enfrentar muitos problemas, os quais atrapalham e muito, a sua saúde. Os problemas sejam em escolas públicas ou privadas, acontecem por conta de salas superlotadas, longa jornadas de trabalho, baixos salários, indisciplina, burocracia, etc. Os níveis de estresse aumentam, bem como, surge à depressão. Situações assim preocupam muito e chamam muito à atenção, pois os docentes acabam por se enfraquecerem e com isso, se afastam das salas de aulas, proporcionando assim, um déficit de desenvolvimento das atividades pedagógicas.
A profissão docente sofreu grandes transformações no decorrer da história da sociedade, pois se antes era visto como o mestre que detinha o saber, agora sua principal função é ser colaborador no processo de ensino e aprendizagem. Mas para que o mesmo exerça o seu papel de forma eficiente e eficaz, é importante que o profissional da educação esteja psicologicamente bem preparado.
São alarmante e muito preocupante, os casos de altos níveis de estresse e as doenças vinculadas ao esgotamento físico e mental, que vem surgindo e aumentando a cada ano nesta classe de profissionais. O grande e constante contato e envolvimento com diversas pessoas vêm fazendo com que os professores tenham de se esforçar mais fisicamente, emocionalmente e psicologicamente, e através de esgotamento, surge um novo tipo de patologia chamada Síndrome de Burnout, que também é conhecida como síndrome do esgotamento profissional. Esta síndrome não possui consequências nocivas, porém, mexe muito com a qualidade de vida do indivíduo e, não somente está correlacionada a classe dos docentes, mas também, para outras profissões.
Segundo a pesquisadora, Marilda Emanuel N. Lipp (2005), os sintomas aparecem gradativamente. O indivíduo entra no processo de estresse pela fase de um alerta, produzido adrenalina dando energia e vigor. Permanecendo o estressor, ou surgindo novo desafio ou dificuldade, o indivíduo entra na segunda fase chamada de resistência, nesta fase surgem dois importantes sintomas: a dificuldade com a memória5 e muito cansaço. Para sair deste processo eliminando estresse é preciso muito esforço para lidar com a situação. Caso não consiga resistir ou mesmo se adaptar o corpo dá sinais de colapso entrando na fase de quase exaustão onde aparecem vários sintomas. Mas, o mais importante, é que o docente deve compreender de que não está sozinho e, que pode e deve pedir auxílio para lidar com todos estes problemas, até mesmo, como uma forma de prevenção, para que seja evitado o surgimento desta patologia.
É neste momento, que a terapia ocupacional pode ajudar e auxiliar estes docentes, como forma de prevenção e tratamento, dando orientações de autocuidado, de atividades que poderão ser realizadas dentro da sala de aula, para que seja amenizada a indisciplina e com isso, criar-se um melhor vínculo afetivo e um ambiente mais prazeroso para este momento de trabalho.
O autocuidado é um processo cognitivo, afetivo e comportamental, no qual o indivíduo em questão assume a responsabilidade por sua própria vida, conquistando integridade nas relações consigo e com o meio em que vive. É muito importante que o docente preserve sua saúde, para que consiga assim, cuidar do outro, ou das crianças que estão em sua sala de aula.
A terapia ocupacional sugere que para o seu autocuidado, o docente antes e depois de entrar em sua sala, consiga fazer uma automassagem, com movimentos circulares e feitos com as duas mãos em seu rosto, braços, mãos, e ombros. Ajudando assim, que permaneçam um pouco mais relaxados. A prática de escutar uma música amena e mais tranquila é outro método a ser considerado e utilizado quando se está em uma situação complexa. Realizar atividades manuais como forma de relaxamento, fazer yoga, praticar esportes ou atividades físicas em geral, é outra forma de manter seu corpo em harmonia. É muito comum, na prática da terapia ocupacional, o trabalho com o corpo e também com a sua mente, pois trabalhamos o indivíduo como um todo e, todos os campos deverão estar interligados, a parte física, psicológica e emocional.
Uma orientação muito comum para os docentes e também, para as instituições de ensino, é que haja em algum momento, uma prática de relaxamento ou conversa com o grupo de profissionais que trabalham na mesma, como uma forma de troca de experiências e esclarecer dúvidas que possam ter com relação ao cotidiano destes profissionais em ambiente escolar.
Nas salas de aulas, a terapia ocupacional sugere, principalmente, na educação infantil, onde a criança passa por sua primeira infância e talvez, a fase de desenvolvimento mais importante para elas, o brincar como um recurso afetivo e de aprendizagem pedagógica, pois o ambiente se tornará mais prazeroso, as crianças conseguirão compreender o conteúdo, poderão participar de uma forma lúdica e, portanto, pressionando menos a ambos os indivíduos, diminuirá com isso, a indisciplina, talvez o ambiente fique mais calmo e o docente conseguirá realizar o seu trabalho mais adequadamente, sem que prejudique a sua saúde.
Com isso, os ambientes escolares estarão mais adequados tanto para a criança, quanto para o docente, melhorando os relacionamentos internos e, trazendo maior qualidade para a própria proposta da instituição e assim, diminuindo os altos índices de estresse e depressão, ou patologias causadas por esgotamento destes profissionais.

Ana Paula Barêa Coelho
Terapeuta Ocupacional
CREFITO-3: 10.261/TO
Julho/2015





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